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Ribeirão Preto, 20 de Quarta-feira de 2008 - 13:38
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Ribeirão Preto
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Introdução

Caminhar pelas ruas de uma cidade ....um beijo inesquecível, um encontro com o amigo distante, uma briga, as brincadeiras de infância, um tropeção... Quem não se lembra de algum acontecimento na sua vida que teve como palco as ruas da cidade? Para além das estruturas de tijolos, dos paralelepípedos e das camadas de piche, as ruas que atravessam a cidade e que constituem e refletem as transformações ocorridas na história da coletividade, são também as artérias, os veios nos quais circulam as nossas lembranças individuais e coletivas. A rua é o cenário onde se cruzam e se aconchegam as histórias vividas pela cidade e pelas pessoas que nela habitam.

O perímetro urbano original de Ribeirão Preto abrangia as terras entre o córrego do Retiro e o ribeirão Preto (córrego que deu origem ao nome do município), local de demarcação para a construção da Capela em louvor a São Sebastião (onde hoje está a fonte luminosa na Praça XV de Novembro). A partir do largo da igreja, foram traçadas as primeiras ruas.

Inicialmente, as ruas e toda a estrutura urbana de Ribeirão Preto (igrejas, cemitérios, residências, etc.), estavam localizadas dentro dos limites das terras doadas para a constituição do Patrimônio da Fábrica da Matriz de São Sebastião, área entre as atuais avenidas Jerônimo Gonçalves, Francisco Junqueira, Independência e Nove de Julho. Posteriormente, com o crescente desenvolvimento e expansão econômica do município, a malha urbana original começou a se expandir de maneira espontânea, por meio da ocupação junto aos antigos caminhos que ligavam Ribeirão Preto às cidades de Batatais, São Simão, etc., ou de maneira organizada, com a implantação de loteamentos. Ao longo do tempo, novos bairros e ruas foram sendo criados e a cidade foi transformada até atingir as configurações atuais com mais de 3.000 logradouros (ruas, avenidas, travessas e praças).

A denominação oficial das primeiras ruas da cidade aconteceu na sessão da Câmara no dia 15 de julho de 1874, quando foram denominadas como ruas as vias paralelas ao córrego do Retiro e de travessas, as que seguiam no sentido perpendicular ao córrego, ou seja, paralelas ao ribeirão Preto. Até então, as ruas eram conhecidas por nomes populares que faziam alusão às suas particularidades físicas, a alguma função que as marcavam, às atividades nelas desenvolvidas ou, ainda, a nomes de santos de devoção local. Ao efetivar a denominação das ruas, a Câmara Municipal manteve algumas das nomenclaturas populares e incluiu novos nomes significativos para a cidade.

As primeiras ruas foram assim denominadas: rua da Esperança, conhecida popularmente por rua do Sapo, uma vez que se localizava junto a terrenos alagadiços

com muitos brejos (atual Visconde do Rio Branco); rua das Dores, a pedido dos moradores o nome desta rua foi modificado no mesmo ano para rua do Comércio, nome pelo qual era popularmente conhecida, devido à existência de inúmeros estabelecimentos comerciais (atual Mariana Junqueira); rua 4 de Julho, alusão à data da posse dos primeiros vereadores da cidade (atual Duque de Caxias); rua do Bonfim (atual General Osório); travessa Botafogo (atual Saldanha Marinho); travessa Alegria, devido à existência de bares e casas de entretenimento naquele local (atual Amador Bueno); travessa Boa Vista (atual Álvares Cabral); travessa das Flores (atual Tibiriçá); travessa do Comércio, modificada em seguida para travessa Nossa Senhora das Dores, devido à presença da capela Nossa Senhora das Dores (atual Visconde de Inhaúma) e travessa da Lage (atual Barão do Amazonas).

Em 1878, por meio de uma indicação do vereador Antônio Bernardino Vellozo, foi aprovado pela Câmara Municipal um projeto de modificação das nomenclaturas das ruas, que passaram a fazer alusão a nomes de pessoas e de fatos da história nacional, substituindo os nomes populares oficializados em 1874, tais como Salda-nha Marinho, Amador Bueno, Álvares Cabral, etc.

Na década de 1940, o pesquisador Plínio Travassos dos Santos realizou o primeiro levantamento sobre a origem dos nomes das ruas e posteriormente, na década de 1970, outros trabalhos dos autores José Pedro Miranda, Rubem Cione e Ary de Lazari foram elaborados. Tendo como referência esses trabalhos e com o objetivo de levar ao conhecimento da população informações sobre a origem e o significado dos nomes das ruas, muitos deles ilustres, mas desconhecidos da maioria das pessoas, foi elaborado o presente trabalho Ruas e Caminhos: um passeio pela história de Ribeirão Preto.

Os trabalhos de pesquisa e elaboração dos textos são frutos da colaboração mútua entre o Centro Universitário Barão de Mauá, por meio dos cursos de História e de Geografia e da Secretaria Municipal da Cultura de Ribeirão Preto, através do Arquivo Público e Histórico de Ribeirão Preto. Ao selar essa colaboração, fica caracterizada a necessidade de diálogo e contato constante entre o poder executivo municipal e as instituições de ensino e pesquisa, com o objetivo de pensar, elaborar e executar projetos e políticas públicas de preservação e divulgação da história de Ribeirão Preto.

O trabalho de pesquisa contou com a participação da coordenação e de alunos dos cursos de História e de Geografia do Centro Universitário Barão de Mauá, entre os quais, cinco estudantes foram contratados por esta instituição de ensino como estagiários para dedicação exclusiva ao projeto. Trabalharam também alguns estudantes de História na categoria de estagiários voluntários e a equipe de funcionários do Arquivo Histórico.

As pesquisas foram desenvolvidas em dois períodos distintos: inicialmente, no período de maio de 2002 a junho de 2003 e, posteriormente, de maio a agosto de 2007. Cada membro do grupo participou ativamente de todas as etapas do trabalho, propiciando o aprendizado, o aprimoramento e amadurecimento sobre questões relativas à história, às técnicas de pesquisa científica e ao trabalho em equipe.

A partir da listagem oficial de logradouros da Prefeitura Municipal, referente ao ano de 2002, foram elaboradas e preenchidas fichas com as informações detalhadas sobre os 3.093 logradouros existentes, denominados com nomes de pessoas, datas e acontecimentos, lugares e acidentes geográficos, vegetais e termos relacionados à cultura e à história internacional, nacional ou local. Não foram considerados os logradouros denominados por letras ou números e os que receberam denominação posterior ao período estudado.

A principal fonte de pesquisa utilizada foi o conjunto de projetos de lei existentes na Câmara Municipal, alusivos à denominação de ruas. Em alguns desses projetos de lei constam dados biográficos dos homenageados, todavia, em muitos casos, as informações constantes são extremamente escassas, assim, foram levantados documentos, livros, jornais, monografias, teses, dissertações, fotografias e revistas integrantes do acervo do Arquivo Público e Histórico, como fontes de pesquisa para complementação e checagem dos dados constantes nos projetos de lei. Foram também coletados dados na Coderp, na Secretaria de Obras Públicas e Particulares, na Secretaria de Planejamento e Gestão Ambiental, na Secretaria de Administração, nas Bibliotecas: do Centro Universitário Barão de Mauá, Padre Euclides, Guilherme de Almeida e em alguns sítios de genealogia e história disponíveis na Internet. Também foram utilizadas fontes orais quando, por meio de entrevistas e depoimentos de familiares e amigos dos homenageados com nomes de ruas, foi possível coletar dados que não constavam em nenhum dos documentos escritos.

Embora o trabalho de pesquisa tenha sido realizado no sentido de abranger o maior número de fontes e documentos, em muitos casos não foi possível levantar dados mais precisos e, para tanto, contamos com a ajuda do leitor para complemen-tação, alterações ou acréscimos de informações pertinentes.

Os textos finais foram elaborados na forma de verbetes, com dados sucintos sobre cada denominação. Longe de esgotar o assunto, a expectativa é de que o projeto Ruas e Caminhos tenha continuidade e abrangência, podendo, assim, atingir todas as ruas da cidade num constante trabalho de atualização. Mesmo que parcial, esperamos que o presente trabalho possa aguçar a curiosidade do leitor sobre o significado dos nomes das ruas e despertar o interesse pela memória e preservação do patrimônio histórico de Ribeirão Preto, pedra de toque para a construção de uma cidade mais humana e feliz.

Lilian de Oliveira Rosa
Historiadora, Coordenadora dos Cursos de História e Geografia do Centro Universitário Barão de Mauá.

Tânia Cristina Registro
Historiadora, Arquivo Público e Histórico de Ribeirão Preto / Secretaria Municipal da Cultura.

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