29/09/11 - 09h13
Fonte: Antonio Carlos Sichieri (acsichieri@uol.com.br)
O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados arquivou, por 16 votos a 2, representação contra o deputado Valdemar Costa Neto (PR-SP). O parlamentar foi acusado de suposto envolvimento em denúncias de superfaturamento de contratos e recebimento de propina no Ministério dos Transportes.
O deputado Fernando Francischini (PSDB-PR), relator da representação, disse existirem indícios de irregularidades cometidas pelo deputado do PR e defendeu a investigação do caso, mas seu relatório foi rejeitado pelo colegiado, que votou apenas a admissibilidade da representação feita pelo Psol e pelo PPS.
O líder do Psol, deputado Chico Alencar (RJ), afirmou que o partido irá analisar a possibilidade de entrar com recurso contra a decisão de hoje. Para tanto, será necessária a assinatura de 52 deputados.
Segundo denúncias divulgadas pela imprensa, Valdemar Costa Neto teria recebido recursos de empresas interessadas em assinar contrato com o Ministério do Turismo em troca de garantia de superfaturamento de preços e aditivos nas compras. O parlamentar alegou hoje que não existem provas contra ele.
Além da suspeita de superfaturamento no Ministério dos Transportes, Valdemar Costa Neto foi acusado de suposto envolvimento em um esquema de cobrança de propina para a exploração da Feira da Madrugada, em terreno da extinta Rede Ferroviária Federal na capital paulista. Segundo a imprensa, o empresário Geraldo de Souza Amorim, ex-administrador da feira, acusou o deputado Milton Monti (PR-SP) de pedir propina para que ele pudesse continuar no comando do empreendimento. O empresário afirmou ter relatado o problema a Valdemar Costa Neto, que teria preferido não se envolver. Geraldo de Souza Amorim morreu baleado no último dia 20. O crime está sendo apurado.
Para o relator existem fatos contra Valdemar Costa Neto que justificam a abertura do processo e criticou a decisão do colegiado e disse que corporativismo e questões partidárias impedem a apuração isenta de casos de corrupção no Congresso.
Já o advogado de Valdemar Costa Neto, Marcelo Bessa, atribuiu o arquivamento da representação à fragilidade das denúncias.
Milton Monti já havia negado a cobrança de propina e Costa Neto disse hoje que também não há provas contra ele no caso.
Outra denúncia é de suposto tráfico de influência admitido durante entrevista de Valdemar Costa Neto a uma emissora de rádio. O deputado teria citado interesse na nomeação de diretores da Caixa Econômica Federal para facilitar a liberação de empréstimos para prefeituras.
Um quarto caso citado na representação do Psol e do PPS é o suposto aliciamento do deputado maranhense Davi Alves Silva Júnior, à época do PDT, para que se filiasse ao PR em troca de privilégios na liberação de verbas do Ministério dos Transportes.
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