13/10/09 - 07h53
Fonte: Flávio Araújo : flaypi@uol.com.br
O “nunca dantes neste país” tornou-se chavão que nossa mídia repete e repercute.
Em certos aspectos comparo com “aquele grito de montanha” com que Olegário Mariano, então príncipe dos nossos poetas, inseriu num poema sugerindo que assim deveríamos pronunciar o nome do Brasil.
Patriotismo exacerbado ou me-ufanismo à parte o auto-elogio de nosso presidente foi decorado e bem digerido pelo mundo.
Notem que o título que utilizo não obedece literalmente o que de Lula disse Obama.
O por quê ?
Embora concordando com a citação o vejo muito mais com a cara do Brasil do que o cara do mundo, como o chamou num momento de pura descontração, o homem de Chicago.
Pode ser que o Luiz Ignácio da Silva, aquele, o operário que perdeu o dedo no curto período em que “operariou” na Villares não o fosse.
Mesmo o sisudo e barbudo líder sindical não o era.
O candidato derrotado, muito menos.
O alegre contador de piadas, com quem comíamos feijoada aos sábados num sujinho perto da Rádio Gazeta, muito menos ainda.
O Lula, sim, é bem a cara desse Brasil brasileiro, mulato inzoneiro, como cantou Ari Barroso em outros versos imortais.
Lula pode não ser um estadista, pode estar cercado de figuras que jamais serão sustentáculos de um governo que seja o retrato do que dele pensa o mundo.
Nem mesmo é o operário que chegou ao topo, como acreditam lá fora.
Mas é tudo isso e muito mais do que isso.
Pode estar sendo bafejado pela sorte?
Claro que pode.
Pode e deve.
O que se alcança, afinal, nesta vida danada de difícil sem as bênçãos da Deusa da Fortuna?
A cara do Brasil não poderia jamais ser a de um líder altamente intelectualizado, defensor de teses acadêmicas.
Doutorado e poliglota.
Teria que ter essa versão macunaímica o nosso Lula, para realmente ganhar esse aplauso uníssono que o mundo vem lhe dedicando.
A vinda das Olimpíadas para o Brasil teve sua presença tão nítida, na esteira do Pan/07, da Copa do Mundo da FIFA de 2014 que o próprio COI (Comitê Olímpico Internacional) já cogita da possibilidade de não permitir a presença desse tipo de autoridade dos países interessados em futuras votações.
É preciso acrescentar algo mais?
De uma coisa estou certo: sendo Lula o presidente do Brasil em eventos dessa natureza, com permissão ou não, a sua participação se fará sentir.
Cara de pau ele também tem de sobra.
Lamentável é que tenha que carregar, não o peso do país ou de sua obreira população.
Nada disso.
Ele sabe que o brasileiro comum não pesa em seus ombros.
O problema é o partido que ele tem que sustentar e bem arrastar e a classe política que o avaliza a preço de mensalões e outras benesses.
Em outros termos: como poderia ele bem conviver com os 300 picaretas que denunciou um dia?
Serão ainda apenas 300 ?
Lula sabe.
Só sendo esse cara e sendo também a cara deste pais.
Ah, se Lula não ignorasse a corrupção e não acobertasse tudo o que de mal tantos “cumpanheros” agora mesmo estão fazendo por aí afora.
Essas cracas que dele não se soltam.
Mas, pensando bem, até que servem para dar maior fidelidade à sua semelhança com a cara do Brasil.
Não ficarei surpreso se depois do Brasil a ONU o requisitar.
Já imaginaram que grande secretário teria o organismo?
Daria tempo para segurar o rojão lá no alto enquanto as Olimpíadas de 2016 estarão em stand-by.
Por que a essas ele vai fazer questão de assistir outra vez como presidente.
Quem duvidar que levante a mão.
Em Tempo:
Dizem que todo dia tem festa no Céu.
Eu acredito.
Mas esta semana o festival foi especial.
Formaram uma comissão de honra para receber Mercedes Sosa e a melhor musica latino-americana tomou conta do espaço infinito.
Com Deus aplaudindo e pedindo bis.
Entre as mulheres cantaram Elis Regina, Violeta Parra e Mercedes Simone.
Esta outra Mercedes, uma das maiores cantoras argentinas de todos os tempos também viveu exilada por grande parte de sua vida.
Mercedes Sosa não podia cantar na Argentina e teve de sair forçada pela ditadura argentina em plena Copa do Mundo de 1978 por cantar antes de tudo à liberdade dos povos oprimidos.
A Simone pelo seu acendrado antiperonismo.
Entre os homens foram escalados Atahualpa Yupanqui, o maior folclorista argentino e parceiro no exílio de Mercedes, Carlos Gardel, Gonzagão e Gonzaguinha, que as vozes brasileiras não poderiam se ausentar.
Tudo com acompanhamento de Astor Piazzola ao bandoneon e Rafael Rabelo ao violão.
Mesmo dando sempre “Gracias a La Vida” gostaria de ter estado presente.
E viva Mercedes Sosa, já que artistas de seu nível não morrem jamais.
Deus os encanta para melhor atraí-los ao seu aprisco.
Ah!
E tudo transcorreu também sob a proteção de Nossa Senhora Aparecida, a padroeira do Brasil, que também gosta de música e liberdade e aproveitou para reforçar a festa pelo seu dia.
Flávio Araújo, jornalista e radialista escreve semanalmente neste site. Correspondência para o E-mail: flaypi@uol.com.br
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