14/12/09 - 08h25
Fonte: Flávio Araújo : flaypi@uol.com.br
No meio de toda essa parafernália gerada pelo clima que tomou conta do Campeonato Brasileiro logo após os jogos da rodada final é que o tema recrudesceu e chamou minha atenção.
O momento não poderia ser pior.
O que se viu em Curitiba foram cenas degradantes que, espalhadas pelo mundo, mancham aquele que deveria ser um cenário somente de competições aguerridas e esportivas acima de tudo.
Futebol tem seu aspecto lúdico que faz a beleza para aqueles que gostam do espetáculo artístico.
Tem o lado competitivo para os torcedores que devem, porém, estar conscientes dos três inexoráveis caminhos que uma partida pode tomar.
Seu time pode ganhar, pode perder ou pode empatar.
Não há outras variantes e não se admitem que uma derrota, por mais prejuízo que traga proporcione batalhas como a que se viu em Curitiba.
Quando escrevi que aquilo aconteceu numa das cidades mais civilizadas do país não estava culpando Curitiba em particular e sim situando-a nesse mesmo diapasão de coisas horrendas que envolvem o país.
Pois se nem uma das cidades mais cultas e civilizadas está livre da barbárie...
Se os exemplos que deverão vir dos poderes mais elevados na nação são a sujeira que sabemos o torcedor comum, seja aqui ou acolá, julga-se no direito de fazer o que bem entender.
Os políticos não agem assim?
Vivemos à matroca num período de barbaridades na vida brasileira com a impunidade gerando mais crimes e colocando na vala comum da delinqüência desde o futebol à alta (alta?) política.
O fim das competições do ano no país marcaram de forma indelével as imagens de lances belíssimos com acontecimentos degradantes.
A batalha de Curitiba suplantou gols espetaculares como aquele de Nilmar, ainda no Internacional e contra o Corinthians ou o de Diego Sousa, pelo decaído Palmeiras contra o Atlético Mineiro.
E tantos outros de bela feitura que se perderam na feiúra das cenas horrorosas.
Mas não só em Curitiba, vejam bem que o problema não é só brasileiro e se espalha esta maldita violência para o mundo esportivo.
No mesmo dia em Roma, no clássico Roma x Lazio cenas degradantes também se registraram.
Não gosto de lugares comuns, mas não se pode negar que os tempos sejam outros e os costumes se afunilam para um lado negativo.
Já não eram boa coisa na época em que o Padre Antonio Vieira fazia os seus sermões que passaram para os compêndios como regra.
Duros, rígidos, cheios de moral e que bem se enquadrariam na conduta malsã dos políticos de hoje.
Tomo conhecimento que o novel G-4 prepara campanha para defesa conjunta dos interesses dos grandes de São Paulo.
Ótimo. Necessário.
Mas, começa muito mal.
Enquanto se anuncia o sucesso das medidas oficiais de combate ao cigarro na contramão das mesmas o interesse mercantilista encontra defensores do retorno das bebidas ao local onde se praticam partidas de futebol.
Quem gosta do jogo da bola vai aos estádios para ver o que há de melhor no mesmo, para se divertir e se empolgar com a ação dos craques.
Para beber há lugares mais agradáveis, mais confortáveis, mais condizentes.
O presidente do Corinthians vem de afirmar que quem “manda na nossa casa somos nós” para justificar a entrada de bebidas e afrontando decisão do poder público respaldada em lei da própria CBF.
Não deve se lembrar mais da invasão do Pacaembu na última vez em que seu clube disputou a Libertadores.
Para coroar os desatinos um padre de grande prestígio popular esquece os sermões de um mestre de sua fé e incentiva a cerveja no futebol.
Para o Padre Marcelo Rossi a cerveja e a champanhe são compatíveis com os torcedores de futebol em pleno estádio.
Foi ele quem falou em champanhe, vejam só.
Deveria estar pensando em algum outro tipo de reunião, quem sabe lembrando-se da Ceia dos Cardeais, de Julio Dantas.
Torcedor bebendo champanha durante uma partida, ora se !?
Onde navegavam as idéias do famoso sacerdote quando imaginou essa possibilidade?
Barbaridade.
Esse G-4 não poderia ter nascido sob pior augúrio.
Flávio Araújo, jornalista e radialista escreve semanalmente neste espaço. Consulte matérias anteriores no link competente.
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