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01/12/11 - 09h23

O que mais querem os críticos do sistema de pontos corridos?

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Fonte: Flávio Araújo (flaypi@uol.com.br)

Não me lembro de um Campeonato Brasileiro que tenha apresentado tantas emoções e tantas possibilidades de modificações até seu último minuto.

Assim mesmo a fórmula de pontos corridos introduzida em 2003 continua tendo seus críticos.

Quando resta apenas uma rodada, 37 foram contabilizadas e 989 gols marcados, 17 agremiações ainda lutam por algo mais no posicionamento final.

Só o Santos, com o pensamento no mundial do Japão e que vai colocar reservas para enfrentar o São Paulo não está nem aí para o campeonato.

O título de campeão, posição na Libertadores e outras na Copa Sul-Americana e ainda o sufocante rebaixamento, tudo em disputa na etapa derradeira.

Dos 20 que iniciaram a competição é lícito considerar que todos visavam o prêmio mais alto, o título, outros passaram a olhar a classificação para a Libertadores como objeto consolador de desejo.

Ainda alguns tiveram que se contentar com um lugar na Copa Sul-Americana, que também traz suas vantagens.

E finalmente os deserdados da fortuna, que mesmo sonhando alto ao princípio agora festejarão a fuga do rebaixamento.

Alguém já disse que para quem está no inferno o purgatório é o céu.

De todos eles, dos vinte, somente Santos, classificado para a Libertadores do próximo ano e Palmeiras e Grêmio, com lugar na Sul-Americana e disso não passarão, não tem mais interesses no item classificação, mas seus resultados poderão definir a sorte de seus contendores.

A não ser o lado do compromisso moral, aquele que julgamos não se apaga jamais, e aí todos os 20 estarão envolvidos na rodada.

Até América Mineiro e Avaí que já estão rebaixados.

A LUTA PELO TÍTULO DE CAMPEÃO

Somente Corinthians e Vasco da Gama estarão na luta quase direta para levantar o caneco do BR/11 no próximo domingo.

Só não será direta pelo fato de não ser um choque entre ambos e na verdade o posicionamento dos dois fez justiça ao todo do campeonato.

Interessante o fato de que enfrentarão exatamente seus maiores rivais em suas cidades na jornada de encerramento.

O Corinthians continua com a vantagem, nada desprezível, de depender exclusivamente de suas forças com os dois pontos que tem a frente de seu único perseguidor.

Vitória ou empate coroa a campanha de quem esteve mais vezes no pódio desde o início do certame no dia 21 de maio passado.

Ao Vasco cabe a tarefa também difícil de vencer seu mais direto algoz, o Flamengo, mas só isso não será suficiente.

Necessitará de uma derrota corinthiana para levar o título para São Januário.

Continuo opinando que os dois pontos de vantagem do Timão pesarão a seu favor na hora do vamos ver.

LIBERTADORES, QUEM QUER UM LUGAR?

O Fluminense, com seus 62 pontos, assegurou um lugar na Pré-Libertadores e não no corpo do torneio em si.

Para conseguir essa classificação direta terá pelo menos que empatar com o Botafogo ou torcer para o Flamengo não vencer o Vasco.

Ao Flamengo haverá necessidade de um empate com o Vasco da Gama e estará na Pré-Libertadores.

A partir de um certo ponto os desejos vão se tornando menos aguçados.

Repete-se a história: se não tem tu vai tu mesmo.

Ao Coritiba será necessária uma vitória no derby da capital paranaense e que significará a pá de cal na cova de seu adversário.

Ao Internacional será preciso um triunfo no Grenal e, além disso, que Coritiba e Flamengo sejam derrotados.

Vejam a situação complicada do Figueirense depois de suas duas últimas derrotas: precisa vencer o rival Avaí e torcer por derrotas de Coritiba e Internacional.

Outra situação complicada é a do São Paulo que é franco favorito para vencer a equipe de aspirantes do Santos, mas necessita simultaneamente de derrotas de Figueirense, Internacional e Coritiba. 

Finalmente notem o Botafogo: tem que vencer o Fluminense e esperar derrotas de Coritiba, Internacional, Figueirense e São Paulo.

Muita coisa, não parece?

São as combinações possíveis para se formar o bloco de brasileiros na Copa Libertadores de 2012 que tem como figuras certas Santos, Vasco, Corinthians e Fluminense.

COPA SUL-AMERICANA JÁ FOI PRÊMIO DE CONSOLAÇÃO

A Copa Sul-Americana indica 8 agremiações brasileiras colocadas em posições imediatas a partir dos que se classificarem para a Libertadores.

Já dissemos que o Santos, embora numa classificação não condizente com suas qualidades técnicas tem lugar garantido por ostentar o título da principal competição do Continente.

A Sul-Americana é o segundo torneio em importância continental e já foi olhada com desprezo o que não se registra nos dias atuais.

Seu vencedor tem uma série de oportunidades o que faz o torneio ser visto como algo além de um prêmio de consolação para quem não chegou aos primeiros postos.

São 8 os brasileiros que participarão da Sul-Americana, em duas etapas, uma nacional e outra internacional quando apenas 4 agremiações nacionais intervirão.

O vencedor dessa Copa disputa a Recopa Sul-Americana contra o ganhador da Libertadores do mesmo ano.

Vai ao Japão disputar com o vencedor da Liga Japonesa a Copa Suruga Bank e desde o ano passado tem classificação automática para a Libertadores seguinte.

Caso do Independiente argentino, último campeão da disputa.

Como tudo isso significa faturamento é natural o interesse de todos os clubes que não se classificarem para algo melhor.

O grupo dos 8 na Sul-Americana só se formará com os que não se classificarem para a Libertadores.

Como já explicamos até a posição do Botafogo ainda há luta por um lugar na Libertadores, mas a partir daí entramos na zona de classificação para a Copa Sul-Americana.

Palmeiras e Grêmio já têm lugares na mesma e o Atlético Mineiro ainda poderá ser ultrapassado pelo seu homônimo de Goiás caso não consiga vencer o Cruzeiro.

E o Atlético de Goiás consegue um lugar com uma vitória diante do eliminado América tirando qualquer chance do Bahia mesmo que este elimine o Ceará.

A LUTA NO REBAIXAMENTO

Já notaram os que acompanham este estudo que mesmo Avaí e América, os que já estão rebaixados, poderão causar danos aos seus adversários nesta última rodada.

O Cruzeiro só depende de si para escapar: bastará ganhar de seu maior rival, o Atlético.

Se empatar ou perder ficará na dependência de derrota do Ceará ou do Atlético Paranaense.

O Ceará precisa vencer o Bahia no clássico nordestino em Salvador e torcer por derrota do Cruzeiro e o Atlético do Paraná só escapa vencendo o Coritiba e combinando essa vitória com derrota do Cruzeiro e não mais que um empate do Ceará diante do Bahia.

É emoção que não acaba mais até porque risos e lamentos perdurarão depois que se encerrar a jornada do domingo.

A POLÍCIA COMANDA O ESPETÁCULO

Situação curiosa a definição de alguns locais para a rodada de encerramento do BR/11.

O próprio Pacaembu é cenário hoje dos mais acanhados para possível decisão de um campeonato de tanta importância como este Brasileiro.

Fossem os dirigentes do futebol focados no aspecto profissional e não nas paixões, Corinthians e Palmeiras seriam jogados no principal estádio da cidade, o Morumbi.

E aí teria algum sentido o deslocamento do dono da casa, que jogaria com o Santos no Pacaembu e não em Mogi-Mirim.

O policiamento negou possibilidades de bem exercer seu trabalho com outro clássico na mesma cidade, razão da transferência do jogo do São Paulo para o interior.

Decisão esdrúxula que comprova o quanto a cidade de São Paulo se ressente de um policiamento mais efetivo.

Até pelo fato de que o jogo São Paulo e Santos está bastante desmotivado e o Pacaembu não comporta mais que os 38 mil ingressos já vendidos, sendo 36.200 para os corinthianos e 1.800 para os palmeirenses.

Se o temor é por desavenças fora do estádio e isso é rotina na vida paulistana não seria o jogo no Morumbi um complicador a mais.

Situação com alguma semelhança no Rio de Janeiro onde o Botafogo, que não é dono, mas é gestor do Engenhão terá que sair de casa e atuar em Volta Redonda diante do Fluminense.

Porque cederá sua morada habitual para o jogo entre Vasco e Flamengo.

É preço que se paga desde já pelas obras em estádios para o mundial de 2014 e que mais prejuízos ao público e aos clubes trarão nos 2 anos próximos.

(Flávio Araújo)

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