24/05/10 - 08h03
Fonte: Flávio Araújo : flaypi@uol.com.br
O relógio já passava das 22 horas e 30 minutos em Madrid no último sábado quando o sargento da polícia inglesa Howard Webb apitou pela última vez.
Estava encerrada a edição anual da Copa dos Campeões da Europa em 2010 com a vitória da Internazionale de Milão sobre o Bayern de Munique por 2 a 0.
Dois gols do argentino Diego Milito, até agora reserva na equipe de Diego Maradona.
O histórico, vetusto e sempre belo estádio Santiago Bernanbeu, propriedade do Real Madrid remeteu-me a um outro duelo entre Itália x Alemanha.
Mundial da FIFA de 1982, Itália 3 Alemanha 1, Itália campeã, minha última transmissão em Copas do Mundo.
Aquele, verdadeiramente, um jogo de italianos contra alemães.
Se pelo relógio já vivia a capital espanhola a noite de sábado a claridade do dia ainda se fazia presente quando o jogo foi encerrado dando início à festa dos italianos ali presentes e que, lógico, deve ter ecoado por todo o norte da Itália.
Festa de italianos presentes ao Bernabeu restrita às arquibancadas já que no campo de jogo havia de tudo menos italianos de verdade.
Aos 45 minutos do segundo tempo foi quando o time campeão recebeu a primeira dose de sangue puro italiano em sua formação.
Foi quando entrou Materazzi, zagueiro que adquiriu notoriedade pelo seu futebol violento e desleal e que não chegou a tocar na bola nos segundos em que pisou em campo.
A equipe milanesa, fiel ao seu nome, foi a mais internacional entre os times do planeta que já conquistaram o laurel, o mais importante torneio de clubes para os europeus.
Tem argentinos, brasileiros, holandeses, ucranianos, sérvios, ganenses, camaronenses, verdadeira ONU onde os italianos de verdade se limitam a a aplaudir.
Para completar o técnico também não é italiano.
José Mourinho é português.
Um gol em cada tempo, ambos do extraordinário atacante argentino Diego Milito e uma defesa que não permitiu nenhum ao adversário selaram a conquista da equipe de Milão.
Ao Bayern alemão ficou reservado o papel de bom coadjuvante; de um time que jamais se entregou, mas que também jamais mostrou condições de ser o vitorioso.
Apenas nos minutos iniciais e quando a Internazionale ainda não se distribuira com sua tática e tenacidade costumeiras no terreno de jogo.
Ressalte-se ainda a falta que fez ao Bayern o seu melhor articulador, o francês Ribery, que sem ser um Zidane é o que de melhor a seleção da França terá para mostrar na África do Sul.
Enquanto a Internazionale é a mais completa exibição de uma seleção planetária com a predominância de seus argentinos (4 no sábado) e brasileiros (3 na grande conquista) o Bayern também mostrou seus muitos holandeses, entre os quais Areen Robben, sua maior figura na partida.
É bastante provável e até justo que a mídia brasileira esteja destacando a presença dos nossos patrícios como o mais importante no grande jogo.
Realmente, Júlio Cesar, Lúcio e Maicon, nessa ordem, tiveram grande participação não só nesse cotejo como no todo da competição, como também nesse último item Tiago Motta, que não jogou sábado por estar suspenso.
No cotejo final do sábado em Madrid, porém, os argentinos foram os mais decisivos.
Cambiasso foi o melhor da partida e Diego Milito o autor dos dois gols, e ainda tiveram produção de destaque o ala Xavier Zanetti, decano e capitão da equipe e o zagueiro Samuel, no mínimo tão bem quanto Lúcio.
Agora, dependendo da opinião da crônica esportiva européia, italiana principalmente, os méritos maiores irão para o treinador José Mourinho, um português de amplo sucesso nas equipes que vem dirigindo.
Mourinho é o rei do egocentrismo, mas também um profissional de alta competência quando se trata de trabalhar no futebol para alcançar um resultado.
Nada de burilar jogadores, de lançar caras novas, isso não é com ele.
Foi campeão nesse mesmo torneio com o F.C. do Porto, de seu país em 2004 e campeão ainda pelo inglês Chelsea.
O Real Madrid agora o espera.
Também o técnico do Bayern, Louis Van Gaal é outra cabeça coroada no mundo do futebol.
Já triunfou na competição com o Ajax de Amsterdan em 1995 e se diz sucessor de Rinus Michels, o inventor da Laranja Mecânica e maior treinador holandês da história.
Van Gaal não dá bom-dia a jogador e Mourinho se julga o Deus dos Estádios.
Isso porque ainda não conhece um cidadão que se chama Luis Ignácio Lula da Silva, o deus verdadeiro.
Honras e glórias aos grandes técnicos do futebol.
Dunga estará entre eles se ganhar a Copa na África do Sul.
De minha parte continuarei acreditando que os grandes jogadores ganham os grandes jogos e que os bons técnicos são aqueles que tem capacidade para extrair dos mesmos o melhor que possam dar.
Pretendia comentar a atual situação do Campeonato Brasileiro, mas diante do adiantado do espaço deixarei para fazê-lo na quarta-feira.
Mesmo porque só agora o BR/10 está pegando no breu.
Pena que tenha que ser interrompido daqui a cinco rodadas.
Mas, “cessa tudo quando a antiga musa canta e um valor mais alto se alevanta”.
Ou a Copa do Mundo de seleções não é o valor mais alto no futebol?
José Mourinho dirá que não.
Flávio Araújo, jornalista e radialista escreve semanalmente neste site. Consulte matérias anteriores no link específico na primeira página.
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