Ribeirão Preto, 4 de Fevereiro de 2012
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08/02/10 - 07h57

Futebol não tem renda para os salários que paga, um dia a casa cai como construção em área de risco

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Fonte: Flávio Araújo : flaypi@uol.com.br

O futebol vive uma fase de loucuras e não sei onde vai parar.

Os gastos das grandes equipes estão ultrapassando os limites do suportável.

Isso não acontece somente no Brasil.

Os grandes clubes europeus que deram início a esse período de verdadeira orgia nos salários futebolísticos já sentem na pele os efeitos negativos da mesma.

No Brasil e no mundo os exageros são insustentáveis.

Qualquer dia estoura.

Não é por outra razão que nossos clubes vivem de chapéu na mão comendo hoje o almoço que pretensamente pensam ganhar amanhã.

Nossos dirigentes se queixam que a tevê paga pouco, mas não podem exigir as somas que consideram justas já que estão sempre recebendo adiantamentos e se colocando como devedores da Rede Globo.

Devem também para as federações regionais e para a Confederação Brasileira de Futebol.

A ilação é simples: se essas instituições tem dinheiro para emprestar aos clubes que são seus tutelados e se essa grana vem do faturamento de seus campeonatos o furo está na organização clubística.

Por outro lado a tevê que está sustentando de verdade os clubes, se os explora por um lado, tira-os do buraco a todo instante com seus adiantamentos.

Assim as associações futebolísticas não tem moral para grandes reclamações.

Os erros administrativos continuam e daqui a pouco estarão implorando por nova ajuda governamental.

A Timemania, imoral, mal lançada e explorada já não servirá de guarda-chuva para os débitos fiscais dos clubes de futebol.

O episódio Robinho é emblemático.

Mesmo que o Santos tire o dinheiro de uma cartola de mágico será ínfima a utilidade de um atleta que vem para ficar seis meses que se resumirão a quatro sendo dois no Paulistão. 

Não estou discutindo as qualidades técnicas de Robinho, um dos poucos mágicos do futebol mundial.

É verdade que não tem tido uma conduta das mais profissionais e seu estado atlético bem o demonstra.

Não era de graça que o técnico Roberto Mancini, do City inglês só o escalava raramente nos últimos meses.

Robinho entrou na equipe em 14 vezes, muitas delas em “rabos de jogos” desde agosto do ano passado.

Mas como futebol não se esquece entrou no domingo contra o São Paulo e deu seu prefixo de craque.

Atuou a partir dos 12 minutos do segundo tempo, chutou algumas bolas perigosas contra Rogério Ceni e simplesmente fez de letra o gol da vitória do Santos por 2 a 1.

Deve fazer uma dupla estupenda com Neymar.

Mas, como o tempo passa muito rápido o pouco em que ficará no Santos só servirá para mais açular a vontade dos torcedores do clube de tê-lo em ação por mais tempo.

Robinho está fora de peso e da forma ideal.

Quando readquirir sua plenitude já será hora de ir para a seleção e depois voltar à Inglaterra.

Se fizer sucesso na África do Sul, onde sem duvida estará, o Manchester City vai faturar alto numa nova transação e o Santos ficará chupando o dedo.


O presidente do Corinthians declarou ainda outro dia que paga salários mensais de 40 a 70 mil reais aos juvenis para não perder os atletas.

Isso é uma barbaridade.

A voracidade dos meninos, insuflados pelos ávidos empresários não tem limites.

Onde isso tudo vai parar?

Em Brasília há o prenúncio de que nesta semana a Lei do Passe voltará a ser implantada numa retardada reforma da Lei Pelé.

Um retrocesso, uma falta de melhores idéias ou o reconhecimento que o estado de coisas atual não pode continuar?

Como o problema não é só brasileiro uma medida caseira não surtirá efeitos extraordinários.

O resumo é elementar: não há respaldo de faturamento para os salários que estão sendo pagos.

É irreal o que se vive no futebol atual e natural que as finanças dos clubes estejam em decomposição.

O grande culpado do descalabro nos salários é o futebol europeu que também já dá sinais de crise.

É certo que lá existe uma organização bem a frente da nossa, mas tem muita gente com a corda no pescoço

A nova janela de transferências encerrou-se e houve mais retornos do que idas que eram aguardadas como tábua de salvação para alguns de nossos maiores clubes.

Os próprios jogadores que hoje ganham fortunas poderão matar no ninho a galinha dos ovos de ouro que tem enriquecido a muitos.

Os europeus estão fechando os cofres e cientes de que o mar não está para peixes.

De que mais dia menos dia, a casa cai.

Flávio Araújo, jornalista e radialista escreve semanalmente neste site. Consulte material anterior no link competente na página inicial.

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