Ribeirão Preto, 8 de Fevereiro de 2012
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30/11/09 - 07h53

Flamengo : Ri melhor quem ri por último, melhor ainda, quem lidera no fim

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Fonte: Flávio Araújo : flaypi@uol.com.br

O BR/09 viveu uma jornada extraordinária no domingo que passou com alternativas arrepiantes, muitos gols e sensível modificação na classificação.

Semelhante a esses jogos em que a equipe que se considera perdida vai toda para o ataque, goleiro inclusive, e os gols vão saindo lá e cá.

Ao final do primeiro tempo da jornada de número 37 do campeonato já haviam sido marcados 25 gols nos 10 jogos e se esses terminassem aí uma boa média já seria alcançada.

Ao encerramento das partidas somaram-se 44 gols com a excepcional cifra de 4,4 gols em cada jogo.

A grande reviravolta é que desta feita um novo líder apareceu e segundo tudo indica manterá essa liderança por mais uma jornada e levantará o título.

O Flamengo, figura apagada na primeira parte do certame arrancou de forma sensacional e depois de bater o Corinthians em Campinas por 2 a 0 assumiu a liderança.

O Corinthians, como esperança paulista não passou de decepção.

Como termina o campeonato jogando em casa contra o Grêmio (8º colocado) o Flamengo dificilmente será destronado.

O São Paulo, líder anterior foi batido de forma irrefragável em Goiânia e sua derrota por 4 a 2 tira-o da liderança para um 4º lugar após os jogos do domingo.

Como tem um jogo fácil no domingo, aquele que seria o cotejo do título diante do Sport no Morumbi deverá, premio de consolação, reconduzi-lo a um posto entre os 4 primeiros na jornada final.

Quem disputou um bom cotejo foi o Palmeiras, mas... agora é tarde, Inês é morta.

 

Bateu, jogando bem e com direito a golaço de Diego Souza ao Atlético Mineiro no Parque Antártica (3x1) e acendeu pelo menos a esperança de ficar no G-4.

Se o Palmeiras jogasse suas partidas como jogou diante do Galo já seria campeão há muito tempo.

Encerrou a penúltima jornada na terceira colocação já que o Internacional passou pelo Sport (2x1) no Recife e é o vice-lider.

Como o Colorado gaucho tem um jogo relativamente fácil contra o Santo André em Porto Alegre no domingo parece ser o único em condições de ultrapassar o Flamengo, se este vacilar.

A presença no G-4 para o Inter, com conduta bastante irregular no campeonato agora parece ser tranqüila.

Vejam que o Flamengo (64 pontos) leva dois de vantagem para Inter, São Paulo e Palmeiras, todos com 62.

Entretanto Flamengo e Internacional tem uma vitória a mais que São Paulo e Palmeiras.  

Ao Palmeiras, aquele que liderou o campeonato por mais tempo, resta a tarefa de bater o Botafogo do Rio de Janeiro para garantir um lugar entre os quatro.

Poderá ser atropelado pelo Cruzeiro, que venceu ao Coritiba por 4 a 1 e tem uma vitória a mais que o time de Muricy Ramalho.

Os dois terão paradas complicadas na última jornada, pois se o Palmeiras enfrentará o Botafogo no Rio o Cruzeiro irá jogar diante o Santos na Vila Belmiro.

Mas, enquanto o Botafogo só se salvará do rebaixamento se vencer ao Palmeiras o Santos jogará despreocupado e sem nada a perder.

Vanderlei Luxemburgo forçará o jogo de seu time para ajudar ao Palmeiras?

Mistério.


No rebaixamento a sorte de Náutico e Sport está selada e ao Santo André só resta fechar a tampa do caixão embora jogando bem e tendo marcado um grande triunfo (5x3) na penúltima jornada.

Vai se haver com o Internacional no Beira-Rio e este ao meu ver é o único que ainda poderá atropelar ao Flamengo.

O Fluminense nem tomou conhecimento do Vitória (4x0), saiu do rebaixamento, trocou de posição com o Botafogo e ainda deixou o Coritiba para trás.

Mas não escapou ainda já que enfrentará na rodada final ao Coxa na capital paranaense e este só escapará da degola se vencer.

Vai ser fogo, torcida brasileira.

Botafogo, Coritiba e Fluminense, um dos três vai cair.

E o Flamengo vai orgulhosamente se consagrar campeão domingo que vem.

Jogando em casa, perante o seu público e com o significado da grande conquista não creio que o Flamengo vá deixar o cavalo encilhado passar sem montá-lo e sair a galope na volta olímpica de uma grande conquista.

Assumiu o rubro-negro a liderança na penúltima jornada, na psicológica, como já ouvi alguém dizer, e agora só resta mesmo a seriedade para o festejo se consumar.  

SELEÇÃO BRASILEIRA VIVEU UM ANO DE NÚMEROS ALTAMENTE POSITIVOS.

Dunga deitou falação dia desses e enfatizou a necessidade do Brasil conseguir um ambiente calmo e isolado na preparação para o Mundial do ano que vem na África do Sul.

Geralmente os técnicos tem uma opinião semelhante ao tentarem fugir da badalação e das tentações com que os atletas se deparam quando confinados em hotel de luxo. 

Por fraqueza ou submissão foi que Parreira se enfiou com sua turma em Weggis na Copa de 2006.

Os técnicos idealizam e os dirigentes vendem.

Faturar é preciso, no dizer de todos.

Distantes estão os tempos em que a seleção brasileira se confinava num ponto obscuro e lá seus atletas viviam a solidão que os deprimia.

Aparentemente só treinavam e ganhavam forma estupenda.

Assim foi na Suécia e no Chile, mas assim não funcionou na Inglaterra.

Qual terá sido a influência de Hyndas para a vitória na Suécia?

Ou de Quilpué para o histórico bi no Chile? 

De quando em vez a imprensa publica reportagens sobre os filhos de jogadores brasileiros que ficaram lá pelas proximidades de algumas concentrações.

Além do mais é preciso ressaltar o fato que são outros os tempos e outros os costumes.

Entendo que o problema esteja especificamente no homem/atleta.

Coloquem Kaká no convento ou concentrado no mais badalado centro de diversões e sua conduta será a mesma.

Por falar em Kaká foi uma das grandes figuras do excelente cotejo no domingo entre Barcelona e Real Madrid, mesmo seu time perdendo por 1 a 0, gol de Ibrahimovic para o Barça.

O que disse sobre Kaká já não posso dizer de muitos outros .

Aymoré Moreira, técnico campeão do mundo pelo Brasil em 1962 tinha o hábito de correr quarto por quarto fiscalizando pessoalmente seus comandados.

Era comum encontrá-lo numa cadeira, num ponto em que observava sem ser observado, caderneta na mão anotando quem chegou ou quem estava atrasado para o recolhimento.

Outro que assim procedia era Oswaldo Brandão.

Enquanto Aymoré era de conversar Brandão não engolia desaforos de seus atletas.

Emerson Leão que o diga.

Mas, ambos sabiam que muitas vezes faziam papel de trouxas e quando o jogador quer, faz e ponto.

Dunga deve aproveitar bem os poucos dias que vai ter para treinar o time para o mundial.

O comportamento de cada atleta já é coisa que foge ao seu controle. No deserto ou na balada.

A propósito, na mesma entrevista Dunga rechaçou qualquer possibilidade de Ronaldo Fenômeno voltar ao Escrete. Cortou rente o desejo de muitos.

Também não vejo como Dunga poderia confiar em um atleta com tantos problemas físicos como o Fenômeno.

Ainda no domingo, jogando pelo Corinthians diante do Flamengo, grande esperança corinthiana, saiu contundido logo no começo do jogo.

A ÉTICA, OU A AUSÊNCIA DA MESMA NO FUTEBOL

A ética tem sido agredida quase que diariamente nas partidas de futebol.

Seja no Brasil, seja em qualquer lugar do mundo.

Por aqui jogadores deixam a equipe e os companheiros na mão pelo orgulho e vaidade de comemorar tirando a camisa depois da conquista de um gol.

Convenhamos: há formas bem mais elegantes para se fazer da comemoração um gesto inolvidável.

Há muitos no meu time (os críticos) que defendem o ato apontando o fato de a liberdade ser um direito inalienável em qualquer situação.

Em termos.

 

O atleta está sendo pago, e muito bem pago, para representar sua equipe com sua capacidade técnica, física e moral, para estar unido aos seus companheiros em busca da vitória e, principalmente, recebe uma parcela pela exibição da publicidade embutida ou muitas vezes ostensivamente exibida em seu uniforme.

Quando tira a camisa está roubando o direito de exposição de seus patrocinadores, os que ajudam a pagar seus salários.

É o momento máximo em que as câmeras o procuram e sua imagem mais se destaca.

Ele então o que faz?

Tira a camisa da forma mais estúpida e sem nenhuma graça como conotação comemorativa.

Isso não é só antiético.

É burrice, é estupidez.   

ESPEREM PELO FUTEBOL NO GELO

O campeonato mundial de futebol na areia marcou de forma notável a sua disputa recém encerrada em Dubai, a pérola artificial que os árabes cheios da grana vão impingindo ao lado da humanidade que tem dinheiro sobrando.

Por sinal que apesar de toda a grana ali contida Dubai anda balançando as bolsas de valores do mundo inteiro.

Futebol na areia, assim como o vôlei de praia nada tem a ver com esses espaços que o homem rouba ao mar para seu deleite.

É só mais um tipo de disputa entre tantas outras em que o futebol emerge como princípio ativo.

O Brasil conseguiu em Dubai outro triunfo a atestar a qualidade superior de seu futebol, notadamente quando ainda em terreno mais para o natural do que o artificial.

Bem diferente da areia onde a bola rolou, que vinha de longe.


O que causou admiração da minha parte foi o time da Suíça.

Não pelo fato de que não existam praias no belo país de calendário.

Mas dentro da mesma convergência que comentei pelo time que a Suíça mostrou no futebol de campo, Sub-17 e que ganhou brilhantemente o Mundial da categoria na Nigéria há poucos dias. 

Se você quiser fugir dos suíços passe a freqüentar uma das suas seleções de futebol.

A de areia, inclusive.

Tem italianos, sérvios, português, chileno, outra Liga das Nações envergando o uniforme suíço.

No futebol de salão a Itália já compareceu a um mundial só com brasileiros.

A Espanha é outra que se vale do aliciamento aos nossos patrícios.

Sabe-se que só quando chegarem às seleções adultas, futebol de campo, é que os atletas terão que se definir.

Ou jogam pelo seu país de origem ou pelo de adoção.

A Suíça sai na frente num processo de formação de seleções futebolísticas que, com o correr dos anos, deixará toda e qualquer lembrança da Pátria natural dos atletas.

Serão suíços com muito queijo e chocolate e ganharão títulos.

Isso melhorará a qualidade do futebol do país ou será apenas um artifício para que conquistas sejam alcançadas?

Flávio Araújo, jornalista e radialista escreve semanalmente neste site. Colunas atrasadas estão arquivadas e poderão ser localizadas no link competente.

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