08/03/10 - 07h50
Fonte: Flávio Araújo : flaypi@uol.com.br
Iniciada no dia 16 de agosto de 2006 com um amistoso sensaborão diante da Noruega em Oslo e que terminou com um pífio empate a 1 gol a chamada Era-Dunga na seleção brasileira viveu esta semana o seu jogo de número 53 coroando um período em que a colheita de vitórias ganhou realce.
O futebol de resultados ganhou força apesar de alguns amistosos chinfrins e onde o que valia era o faturamento e não a exibição.
Todos, do técnico aos jogadores compreenderam bem essa situação e quando era para valer o desejo de vitória tomava conta de todos.
Durante o período de 35 vitórias, 5 derrotas e 11 empates houve muito jogo medíocre da seleção intercalados com poucas partidas de alto nível quando o adversário era Argentina, Itália, ou seja, briga de gente grande.
Mesmo assim, considerada a era-Dunga como altamente positiva, existiram escorregões em jogos de importância.
Como aquela derrota na abertura da Copa América diante do México ou então o jogo em que perdemos da Bolívia já nas Eliminatórias.
Para este jogo sempre haverá a desculpa da altitude e na Copa América a reação veio com algumas jornadas de bom nível até a conquista final.
As exibições enfadonhas ficaram mais nos amistosos e as melhores em jogos oficiais das Eliminatórias e na Copa das Confederações.
De modo geral os rapazes de Dunga sabem quando puxar o freio ou soltar as amarras.
Houve no geral um aproveitamento que se enquadra dentro das melhores perspectivas de um técnico que se guia dentro de um pragmatismo absoluto e não se desvia de seus objetivos seja por sonhos miríficos ou elucubrações fantasiosas.
Dunga vem em todo esse período que completará quatro anos logo após a Copa plasmando a seleção à sua imagem e semelhança.
Por outro lado, se dizem que a vingança mora em seu peito e sempre fica à espreita para sair à caça sua ação sabe dosar coerência dentro de seus critérios de calculista juramentado.
Acompanhem comigo os fatos que, dizem, motivam a ausência de Ronaldinho Gaucho entre os convocados.
Alguns falam em vingança pelo chapéu e pelos dribles que Dunga levou do mesmo quando ainda jogava em Porto Alegre e enfrentou o dentuço num Gre-Nal.
O técnico jamais passou recibo e prefere deixar nas entrelinhas que Ronaldinho o abandonou por ocasião da Copa América na Venezuela.
Por isso não o chama.
Mas, onde a coerência se Kaká teve o mesmo procedimento e é figura indispensável nas listas do técnico?
Prefiro deixar de lado as possíveis idiossincrasias pessoais e me fixar na crença do técnico e em sua forma de ver futebol.
O resultado é o que conta e Dunga não acredita nos mágicos.
Ai também mora uma dose de contrafação já que Robinho é um dos últimos remanescentes da categoria dos ilusionistas onde Neymar é o futuro.
Mas Robinho, malgrado seu jeito moleque tem um lado adulto.
Adepto das baladas tanto quanto Ronaldinho soube tomar Dunga por compadre logo na citada Copa América de onde o craque do Milan se ausentou.
Assim que não se pode considerar o técnico como um disciplinador que não tergiversa.
Já escrevi que ele é coerente dentro de sua incoerência.
Ao longo dos jogos sob seu comando muita gente foi caindo do cavalo.
E outros botando o pé no estribo.
Neste último caso está Grafite, que teve boa atuação diante da Irlanda mesmo jogando poucos minutos.
Compreendo que a situação de Dunga se torna difícil para escolher 23 e deixar de fora os velhos companheiros em favor de cristãos novos.
Chamar Grafite significa deixar Adriano de fora.
Ou então a bomba irá estourar no inocente Nilmar.
Não adianta esquentarmos o tema pedindo menos marcação, ou mesmo muita marcação, mas com menos jogadores só de pegada e colocar ao lado dos mesmos valores com capacidade de marcar e iniciar melhor as saídas de jogo.
Nesse quesito seria fácil encontrar substitutos com melhor condição que Felipe Melo e Josué.
Na minha cabeça, mas é a de Dunga que decide.
Ouvindo e lendo as esquivas aberturas do “professor” é fácil constatar não ser o mesmo capaz de ousadias.
Vai levar os 22 que enfrentaram a Irlanda mais o goleiro Victor e com Luiz Fabiano e sem Grafite.
Jogadores de melhor qualidade vão ficar de fora.
Dunga não quer os mágicos.
Dentro de seu estilo tosco de jogar futebol, de falar, de vestir-se a Copa de 94 é o seu ponto de orientação, o seu fanal.
Não quer uma equipe que encante, mas, menos mal que quer a Copa.
Confia naqueles que seguem o seu estilo de jogo e como ele mesmo diz “os que estão ‘cum nóis’ desde o começo.”
Mas que o grupo poderia ser melhorado, disso não tenho dúvidas.
Flávio Araújo, jornalista e radialista escreve semanalmente neste site. Matérias anteriores serão encontradas no link específico na primeira página.
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