11/01/10 - 08h05
Fonte: Flávio Araújo : flaypi@uol.com.br
Quando Carlos Alberto Parreira foi campeão do mundo com a seleção brasileira em 1994 havia uma justificativa de sua parte e que o país aceitava para que o time se valesse antes de mais nada de seu sistema defensivo: a preocupante ausência de um título de campeão mundial por 24 anos.
O último fora a memorável conquista do México em 1970.
Aquela vitória nos Estados Unidos marcou em muitos um axioma de que Copa do Mundo se ganha com freio de mão puxado e um mínimo de aceleração.
Afinal, todos ainda tinham em mente os ofensivos times armados por Telê Santana em 1982/86 e que não trouxeram os canecos.
É preciso aqui um parêntese para lembrar que a equipe campeã em 94 tinha Romário e Bebeto a integrá-la como definidores.
Só os dois valiam por um ataque mais do que completo.
Mas, vamos em frente.
Luis Felipe Scolari nunca foi um técnico que se pudesse apontar como apaixonado pelo futebol ofensivo.
Não que o desprezasse, porém sempre preferiu seus esquemas bem armados com armadores eficientes.
É certo que jogadores chaves quando bem escalados, no melhor aproveitamento possível de seus potenciais, valem sempre mais do que esquemas ortodoxos.
Dunga, assim como Muricy Ramalho e a maioria dos treinadores vitoriosos da atualidade são defensores intransigentes da tese que proclama que a melhor defesa é ... a defesa.
A razão não sei, mas esquecem os exemplos históricos das nossas maiores seleções em Copas do Mundo, aquelas que conquistaram os títulos de 1958 e 1970 e que comprovam antes que tudo ser o equilíbrio entre defesa e ataque, e meio de campo entre os dois setores a melhor das soluções.
E tudo muito bem misturadinho, sem compartimentos estanques.
Recuperou a bola ou saiu para o jogo é atacar e atacar.
Não cito a de 1982 simplesmente porque não trouxe a Copa e numa discussão, seja de academia ou de boteco esse dado sempre pesará contra quem resolver citá-la como exemplo de grande equipe ofensiva.
O que na verdade ela foi.
Dunga tem um saldo de aprovação melhor que o de qualquer de seus antecessores, mesmo os campeões do mundo.
Enquadra-se melhor que qualquer outro na filosofia do “ao vencedor as batatas.”
Seu time não joga bonito, mas vem vencendo muito mais.
Já pode então ser até chamado de treinador de futebol, o que não era até outro dia.
A seleção está viciada em jogar quase que exclusivamente em contra-ataques.
Sente muita dificuldade em encontrar espaços quando é marcada de forma intransigente pelos rígidos esquemas europeus.
Além disso torna-se uma necessidade imperiosa aumentar o repertório de jogadas seja para sair jogando ou para preparar o golpe final.
Particularmente continuo acreditando em planos de jogo mais elaborados.
Com sabor e com beleza, que para mim também vai à mesa.
Vendo o nível do futebol internacional no momento constatamos que a seleção brasileira, a equipe de Dunga, não está afiada para receber esse “habite-se” de favorita ao mundial deste ano.
Temos muito a evoluir e nos faltam esses valores chaves que definem a condição de um campeão mesmo não sendo ele uma máquina de fazer gols como aquelas seleções citadas lá no começo.
Aquelas de 1958 e 1970, repito, o que de melhor nós tivemos.
Não tenho nenhum receio de afirmar que Luis Fabiano pode ser um bom artilheiro, mas está muito longe do nível de outros que já tivemos.
Jogando só em contra-ataques a nossa dependência de Kaká se torna algo superior às qualidades do próprio.
Resumindo: falta gente boa no Escrete.
E também mais ousadia por parte de nosso treinador.
Flávio Araújo, jornalista e radialista escreve semanalmente neste site. Se desejar encontre os artigos anteriores buscando no link correspondente.
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