Ribeirão Preto, 22 de Maio de 2012
[ Busca avançada ]
Hoje é Dia do Apicultor | Dólar: R$ 2,04 | Euro: R$ 2,60 | Preço médio do etanol hoje em Ribeirão é R$ 1,62; preço médio da gasolina é R$ 2,43

06/02/12 - 08h33 (Atualizado em 06/02/12 às 08h43)

Clubes de futebol paupérrimos produzem milionários

Tamanho da letra: A- A+

Fonte: Flávio Araújo (flaypi@uol.com.br)

A saída nesta semana de Vanderlei Luxemburgo do Flamengo dá margem para considerações e ilações maiores que o fato em si.

Não se trata apenas de mais um fracasso na carreira daquele que foi um dos nossos maiores treinadores de futebol enquanto se manteve apenas dentro dessas funções específicas.

Desde que se transformou no “todo poderoso” das equipes que o contratam os resultados se modificaram para o outrora vitorioso treinador.

É preciso levar em conta que seus maus resultados não caminham no mesmo sentido em que cresce o seu vultoso faturamento.

Igual a outros treinadores de renome no nosso futebol, Felipão, Muricy, Tite, Mano Menezes e, muitos mais, Vanderlei vence mensalmente verdadeiras fortunas que estão muito acima da capacidade de nosso combalido futebol.

Agora mesmo está reivindicando algo em torno de 4 milhões de reais aos quais teria direito por ter sido dispensado do Flamengo.

Não pensem, por outro lado que o Flamengo, um dos clubes mais desorganizados e pior dirigidos do futebol brasileiro esteja sozinho nessas patacoadas.

A DESORGANIZAÇÃO É GERAL

O Palmeiras ainda recentemente efetuava pagamentos elevados a diversos técnicos que dispensara e em verdade não sei se já saldou todos os débitos acumulados com essa canhestra forma de direção.

O mesmo sobre o Corinthians na sua relação com o argentino Passarela, que depois de uma passagem tumultuada saiu reclamando judicialmente uma pequena fortuna.

Joel Santana, que agora está voltando ao Flamengo geralmente continua recebendo de dois ou três clubes que dispensaram o seu trabalho e enquanto já na ativa em outras agremiações.

A falta de profissionalismo e equilíbrio de nossos dirigentes é algo inacreditável.

Mas, acredite, pois é verdade.

É motivo para pensarmos a atual fase que vive o nosso futebol e pelo que me consta a razão principal dessa situação se alastra em sentido global.

A queda nas contratações e nos gastos dos grandes clubes europeus, notadamente aqueles da zona do euro, nos mostram que algo cheira muito mal no reino, não o da Dinamarca como cantou o bardo Shakespeare, mas no todo do futebol.

NO BRASIL É ASSIM QUE AS COISAS CAMINHAM (CAMINHAM?)

Uma coisa pode estar diretamente ligada à outra, mas analisemos apenas no terreno doméstico e onde estamos mais enfronhados para discorrer sobre essa situação anômala.

Atentem, por exemplo, para esse processo que o atacante Deivid está movendo contra o indigitado Flamengo.

Sempre o Flamengo, mas não só o Flamengo.

O jogador reclama na justiça o pagamento de 6 milhões de reais que correspondem por suas contas ao que o clube lhe deve de atrasados em 18 meses de direitos de imagem.

Isso significa uma cifra mensal de 333 mil reais mais uma dízima periódica.

Mesmo que seja só para burlar a previdência, o fisco e o que mais houver, claro que esse atleta, como todos os demais, tem ainda um salário.

Que geralmente, nos grandes clubes, soma acima de três dígitos.

Dividir os proventos dos jogadores entre salários e direitos de imagem é o truque que todos os clubes costumam usar para suas contabilidades tendenciosas.

O que me deixa estupefato não é apenas a desorganização dos clubes, situação em que o Flamengo é um dos campeões, mas onde tem muita companhia entre seus colegas das diversas federações brasileiras.

Acima disso tudo fica-se atônita ao tomar conhecimento dos valores que estão sendo pagos aos atletas de forma generalizada.

À margem do faturamento dos clubes com marketing, com renda de televisão a ínfima presença do público nos estádios não dá aval para pagamentos tão substanciais.

Duvido que haja na vida brasileira profissionais assalariados ou não que faturem tão alto como os mais comentados jogadores de futebol.

É possível que os grandes advogados, notadamente aqueles que ocupam altos cargos governamentais e esquecem as necessidades para as quais foram nomeados e dedicam-se à defesa daqueles governantes que os nomearam.

Podem até não receber enquanto ministros ou altos funcionários, mas abrem caminhos para futuras ações patrimonialistas.

Ou então os que depois de cumpridos seus anos em postos elevados no governo ou mesmo desapeados dos mesmos por flagrante improbidade vão ensinar o caminho das cornucópias oficiais para seus privilegiados clientes ganharem as gordas concorrências.

Mesmo que nos restringindo apenas aos profissionais honestos e dignos em seu trabalho, um médico de alto prestígio, por exemplo, digamos um cirurgião cardíaco, primeiro time entre os melhores do país, duvido que vença a metade do que alcança mensalmente um Ronaldinho Gaúcho ou um Neymar.

Estamos falando de luminares da medicina, vejam bem.

Fiquemos apenas entre os excelentes médicos que sem serem referências nacionais são de extraordinário valor e capacidade.

Médicos com 6 anos de faculdade onde entrar valeu muito sacrifício e muito dinheiro e depois ainda especialização e muita dedicação.

Estes, talvez consigam ganhar em um mês 10% do salário de uma cabeça coroada do futebol.

Agora, se falarmos de médicos comuns, valorosos e dedicados a 2 ou 3 empregos, correndo daqui para lá para cumprir toda sua carga horária, quanto ganham?

1%, ou seja, vou escrever com todas as letras para não pairar dúvida, um por cento do que ganham jogadores de primeiro nível.

Muitas vezes recebem menos para tanto se desdobrar que um jovem de clube grande, iniciante no profissionalismo, desses que disputaram a recente Copa São Paulo de juniores.

O EXEMPLO DO CASO DEIVID

Se o exemplo for o que ganha um Deivid, um bom jogador no passado e em visível declínio no presente, um facultativo que salva vidas humanas na sua faina diária não ganha 10% daquilo que esse processante arrecada.

Estou falando dos muitos profissionais honestos da medicina, dos que trabalham de fato, faço questão de frisar já que também aí existem as sinecuras.

Tenho certeza que falo da grande maioria.

Como também de outros profissionais de destaque e onde faculdades e cursos complementares são exigidos.

Professores? Ai é melhor nem falar nada.

Deivid já beijou muitos distintivos e na sua melhor fase foi apenas um bom jogador.

Nada além.

Como podem nossas agremiações pagar valores tão altos?

Esta semana já vi Kleber, agora no Grêmio, beijar o escudo do clube.

Mais um que ele beija e é muito bem pago para tal.

Tenho certeza que a torcida trocaria o beijo de crocodilo por uma melhor aplicação na sua função que é também não perder cobranças de penalidades máximas.

O São Paulo, depois de se acertar com o Villarreal espanhol onde Nilmar é banco acaba de ver recusada uma proposta de 300 mil reais mensais pelo atleta que exigiu mais através de seu estafe.

Sim, porque os jogadores agora não tem mais apenas um empresário e sim um estafe para representá-los.

AS DIFERENÇAS ENTRE O QUE PAGA E O QUE RECEBE

Sabe, amigo, você que dá duro para viver, o que significa um salário mensal de 300 mil pratas?

E ainda os tais falados direitos de imagens e outras sinecuras?

Ah, a carreira de um jogador é curta e por isso ele precisa ganhar bem?

Primeiro, ganhar bem é uma coisa, ser pago com fortunas que permitem que o pé de meia dos netos seja feito em dois contratos é algo muito diferente.

Ah, eles são artistas?                               

Os grandes cantores da atualidade dominante na péssima fase da música brasileira também recebem fortunas em seus shows pelo país afora, e na venda de seus discos, concordo.

Deixando de lado a questão da preferência de cada um e que deve ser respeitada a diferença é que quando num palco eles dão seu recado, cantam ou tocam o que prometeram e o que deles a plateia espera.

Já o público que paga para ver seus ídolos num gramado de futebol tem sempre a possibilidade de não ver coisa nenhuma do que aguarda.

COMPARAÇÕES VERGONHOSAS

Vejam que nem me atrevo nestas comparações a falar do que ganham jornalistas, narradores, repórteres, aqueles que fazem a fama desses milionários.

Daria vergonha se compararmos.

Aquilo que recebem as estrelas chega ao espaço sideral.

Verdade que muitas vezes bate e volta.

Mas, como o que é combinado não é caro e está tudo preto no branco, através da justiça acabarão por receber o que foi traçado entre os incompetentes dirigentes e as aves de rapina que são os empresários do futebol internacional.

Não só nossos clubes, mas o todo do futebol que não tem condições de pagar valores tão altos.

Vai acontecer o mesmo que se registrou com esses prédios da Cinelândia, no Rio de Janeiro.

Tomara Deus que eu esteja enganado.

(Flávio Araújo)

Vaja outras colunas de Flávio Araújo

Comente a notícia no Facebook























Notícias Relacionadas

© 2002-2012 Ribeirão Preto Online - Um novo jeito de ver Ribeirão. Todos os direitos reservados.

Ribeirão Preto Online, Ofertas de Veículos e Imóvel da Cidade são produtos da Empresa Brasileira de Mídia Online. É proibida a reprodução do conteúdo deste portal em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem prévia autorizaçao.