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15/06/10 - 21h23

Brasil não jogou nem para o gasto na estréia. A sorte é que o adversário era a Coréia do Norte

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Fonte: Flávio Araújo : flaypi@uol.com.br

 

Acredito que além de Dunga foram muito poucos aqueles que gostaram da estréia do Brasil ontem na África do Sul.

Com todos aqueles argumentos de que Copa do Mundo é assim mesmo, que as grandes equipes só crescem ao longo dos jogos, que o nervosismo é natural em tais ocasiões, o futebol do Brasil esteve abaixo da crítica.

Ainda se o jogo terminasse 2 a 0 haveria sempre o eterno argumento de que a equipe procurou não se desgastar e construiu um placar confortável.

O gol norte-coreano diante da badaladíssima defesa brasileira bota por terra boa parte dos argumentos eufemísticos.

Em jogos de tal envergadura não se descuida.

E o Brasil se descuidou.

No todo do jogo penamos por não saber tomar a iniciativa de jogar ofensivamente contra um adversário retrancado.

Era a principal prova que tínhamos que superar e não conseguimos.

O esquema de Dunga quer sempre ver o adversário nos agredindo para aí sim, tomar a bola e sair em velocidade.

É mais ou menos aquela dificuldade que o atacante enfrenta quando vai cobrar um penal, faz a paradinha, e o goleiro não entra na dele.

Fica estático.

Assim foi o Brasil diante da Coréia do Norte.

Com o agravante de algumas atuações apagadas, começando por Kaká.

A defesa esteve firme como esperado e só cochilou mesmo naquele imperdoável gol norte-coreano.

Maicon foi exuberante, armou, foi atacante e fez até gol.

Já não posso dizer o mesmo de Michel Bastos que errou muitos passes.

Mas não foi tão mal quanto Gilberto Silva e Felipe Mello que se restringiram a destruir e errar passes.

Faltou a conexão, faltou a sinapse que liga os neurônios e os fazem funcionar.

Elano, burocrático, leva o mérito de ter feito o segundo gol que passa a ter um peso imenso diante do pouco que fizeram os demais.

Kaká, sem ritmo, sem inspiração, sem bola.

Luiz Fabiano, isolado, o pouco que veio ele desperdiçou e Robinho, o único verdadeiramente lúcido da equipe e o melhor do Brasil com méritos divididos com Maicon.

Mas, se Maicon jogou tudo, Robinho deve ter mais.

Dos reservas que entraram Nilmar (por Kaká) foi o que apresentou poucos, mas bons momentos.

Ramires substituiu Felipe Mello e entrou para tomar um cartão amarelo e Daniel Alves correu para lá e para cá, mas não teve oportunidade de mostrar nada de efetivo, embora seja muito bom jogador.

Você poderá até dizer que bons jogadores todos eles são.

Tem certeza?

O empate entre Portugal e Costa do Marfim, num jogo de alto teor de combatividade e disputa foi altamente benéfico para o Brasil.

Só até aí, já que qualquer um dos dois será adversário dificílimo para a seleção brasileira.

Que espero seja completamente diferente em seu modo de atuar a partir do próximo domingo.

Das seleções consideradas favoritas e que estrearam na Copa a melhor performance foi da Alemanha em sua goleada (4x0) contra a Austrália.

O melhor futebol, porém, foi o da Argentina diante da Nigéria.

O placar foi magro, mas o adversário exigiu muito.

Dos bichos-papões da Copa foi a Argentina a única seleção que teve de jogar no limite, e jogou, e venceu.

Parece incongruente já que a Inglaterra, outro do bloco dos favoritos, não passou de um empate diante dos Estados Unidos.

Os ingleses tem suas atenuantes para seu pífio resultado: a incrível falha de seu goleiro Green no gol de empate dos americanos é uma delas.

Mesmo assim esperava bem mais do English Team.

A Holanda foi bem em sua vitória diante da Dinamarca, que não foi um adversário fácil.

A rigor, nenhum dos favoritos mostrou futebol de nível superior além de Argentina e Alemanha.

Esperemos agora pela Espanha.

(Flávio Araújo)

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