Ribeirão Preto, 8 de Fevereiro de 2012
[ Busca avançada ]
Etanol já pode ser encontrado a R$ 1,69 em Ribeirão; preço médio da gasolina é R$ 2,49 | Dólar: R$ 1,724 | Euro: R$ 2,283 | Poupança: 0,5887

01/02/10 - 07h34

Boxe profissional, dramas e ilusões de um esporte (?) quase sempre manipulado

Tamanho da letra: A- A+

Fonte: Flávio Araújo : flaypi@uol.com.br

Já na minha remota infância eu gostava de boxe.

Vivendo, porém, numa pequena cidade do interior só tomava conhecimento desse esporte pelos noticiários.

Muitas vezes fiquei acordado até altas horas da noite para ouvir pelo rádio as transmissões que fazia A Voz da América, com locutores brasileiros radicados nos Estados Unidos de lutas do lendário Joe Louis, um dos meus ídolos de então.

Por sinal que poucos esportes produzem ídolos internacionais como o boxe.

Hoje, com a globalização pode ser fácil, mas naquela época ...

Nas disputas individuais a chamada “nobre arte” epíteto de há muito ultrapassado e até por mim contestado, tem fabricado ídolos e mais ídolos, poucos no Brasil, mas muitos nos Estados Unidos.

Houve tempo em que os norte-americanos marcavam encontros no bar do Dempsey, isso muitos anos depois que o lendário Jack havia pendurado as luvas.

E as comparações entre americanos e europeus tendo por base as lutas entre Joe Louis e o alemão Max Schmelling ?

Adolf Hitler nunca perdoou os bons pendores para a esportividade e o bom caráter de Max, tanto que este foi viver nos Estados Unidos depois de toda a celeuma que os dois combates ocasionaram na época ou em seguida às suas realizações.

Max Baer, Gene Tunney, Marciano, o francês Marcel Cerdan, paixão da cantora Edith Piaff ... são alguns dos muitos nomes da época áurea do pugilismo internacional.

Todo mundo sabia que a máfia estava sempre no meio, mas a mídia era ainda incipiente e tudo se restringia a um esporte adorado pelos norte-americanos e seguido por muita gente em todo o Planeta.

Lembram-se de alguns filmes tendo por base o boxe ?


Aquele em que James Gagney se regenera através do mesmo e deixa de ser o “inimigo público número um... lutador de rua, punhos de campeão...”?

Não eram biografias do pugilista.

Era o boxe sendo usado como pano de fundo, ou mesmo de frente, de grandes dramas retratados nos sets cinematográficos.

Rock Graziano e seus dramas etílicos.

Já imaginaram um filme nesse estilo contando a vida de Mané Garrincha baseado no livro de Ruy Castro ?

Tempos modernos nos falam de Jersey “Joe” Walcott, de Ezzard Charles até desembocarmos em Sony Liston, George Foreman, Floyd Patterson, “Sugar” Robinson, Archie Moore até Mohammed Ali, o maior de todos.

Até Mike Tyson e Evander Holyfield, os exemplares mais citados num passado recente, não importava se o campeão fosse um ou fosse o outro.

Poucas vezes puderam ser reunidos dois lutadores de tão grande prestígio e com situação tão sólida nas conquistas materiais, apesar dos muitos pesares, principalmente pelos lados de Mike Tyson que até prisão já gramou.

Desde que Tyson conseguiu o feito de unificar os diversos conselhos (entidades oficiais que regem o boxe) em torno do seu nome o esporte (?) vem proporcionando grandes oportunidades para seus organizadores.

Sim, os organizadores, que são os grandes empresários que efetivamente faturam com a modalidade que hoje tenho alguma dificuldade em considerar como esporte, depois de tê-la conhecido em seus bastidores.   

Uma coisa é conhecer o boxe e descrevê-lo como jornalista ou radialista.

Bem diferente é amá-lo ... tão poucos os que o conseguem.

Principalmente entre os praticantes que sempre vêem nele a oportunidade de subir na vida.

 


O boxe não é como o futebol, que os meninos jogam por prazer, uma diversão entre as crianças que passa a ser profissão que os adolescentes já a caminho da idade adulta, têm alguma dificuldade em considerar como tal.

Futebol na verdade é prazer e diversão .

Há divergências, consultem os ávidos empresários da atualidade.

Mas, o boxe, sem discussões, é o prato de comida que se desenha para muitos garotos famintos que o vêem como única chance de fugir da miséria.

Geralmente o pugilista foi delinquente infantil ou juvenil e só no boxe despertou para a possibilidade de ganhar a vida levando pancadas.

Pelo menos dando também e sem ter que fugir da polícia.

Mike Tyson, como Sony Liston no passado recente, está bem inserido neste contexto.

Liberado da marginalidade em que viveu, passou a desfrutar das coisas que podia obter com os punhos só que então dentro da lei.

Uma contravenção aqui, um deslize ali, a prisão que todos, ou a grande maioria analisaram como (a condenação de Tyson) um realismo mais realista que o próprio rei.

Na verdade um sistema judiciário todo calcado no racismo, típico dos norte-americanos, que condena um homem acusado por uma mulher que se ofereceu para que o criminoso se mostrasse como tal, mas liberta um Simpson, aos olhos de todos culpado contra tudo e contra todos, de forma aparentemente desconexa e inexplicável.

Coisas da legislação do grande país do norte, da Pátria da liberdade que num certo momento fechou as portas para Charles Chaplin e exigiu atestado de democracia de Wiston Churchill.

Bem, mas estávamos falando de boxe e continuemos no mesmo.

Evander Holyfield, que está sempre buscando uma forma de voltar aos ringues, também tem trabalhado sua imagem nos últimos tempos.

Tyson, por sinal, já confessou na mídia detalhes de sua vida particular de ninguém conhecida até certa época.

Homem casado, pai de filhos e por ai afora.

Holyfield procura mostrar a imagem do injustiçado nas Olimpíadas de 1984.

De suas vitórias brilhantes, porém, de repercussões opacas, na tentativa de conseguir o retorno.

Postula os mesmos direitos do então Cassius Marcellus Clay no pedestal da glória.

Afinal, conquistou por duas vezes o cinturão dos pesados.

Eles, tão grandes em suas especialidades, Tyson, Holyfield, Foreman, Lennox Lewis, Julio Cesar Chávez, ficam disputando tantos “combates do século” a cada nova disputa de titulo para enriquecerem mais tipos como Parnassus, o grego dos tempos de Eder Jofre, ou quadrilheiros como esse Don King.

Estes cada vez mais ricos, o ser humano cada vez mais pobre, e o esporte (?) a cada dia menos nobre.

Quem escreve isto é um locutor que narrou muitos combates de boxe e sentiu o mau cheiro que ronda as etapas de sua organização.

Os lutadores, em última análise, não têm culpa nenhuma.

É bom que se deixe isso bem claro.

São manipulados pelos mafiosos controladores da modalidade que continua fabricando, entre os que se agridem, ídolos que o povo passa a adorar.

E fica em vigília para vê-los pelas madrugadas na tevê ou mesmo nos ginásios, hoje muito mais nos hotéis de luxo, até aqui mesmo no Brasil.

Se falta o pão, sobra o circo ...

Ainda bem. Ainda bem.

Flávio Araújo, jornalista e radialista escreve semanalmente neste site. Busque matérias anteriores no link competente. 

Comente a notícia no Facebook























Notícias Relacionadas

© 2002-2012 Ribeirão Preto Online - Um novo jeito de ver Ribeirão. Todos os direitos reservados.

Ribeirão Preto Online, Ofertas de Veículos e Imóvel da Cidade são produtos da Empresa Brasileira de Mídia Online. É proibida a reprodução do conteúdo deste portal em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem prévia autorizaçao.