21/12/09 - 07h57
Fonte: Flávio Araújo : flaypi@uol.com.br
Mundial de clubes da FIFA; Copa dos campeões da Europa; Campeão Espanhol; Copa do Rei da Espanha; Super-Copa da Europa e Super-Copa da Espanha.
Seis conquistas numa única temporada (2009) é o feito que o Barcelona exibe com orgulho para o mundo admirar.
Finalmente pode agregar às suas muitas conquistas o título que lhe faltava.
Será que pelo fato de não ter nenhum adversário brasileiro pela frente?
Em duas oportunidades (1992 contra o São Paulo e 2006 diante do Inter gaucho) os catalães chegaram a final frente aos nossos no mundial de clubes e sentiram o travo amargo da derrota.
Agora, diante do Estudiantes de La Plata, Argentina, a vitória deu os ares de sua alegre presença.
Mas foi preciso que um argentino se transformasse no protagonista do espetáculo para que tal acontecesse.
Lionel Messi, o garoto simples de Rosário, 22 anos, cara limpa, sem brincos, sem tatuagens e outros adereços, sem poses de “senhorito” como os espanhóis nomeiam as figuras estreladas (e nem sempre com brilho próprio) foi o herói da conquista do Barça.
Outro garoto, Pedro, fez o gol do empate quando as cortinas do espetáculo já estavam para se fechando no tempo normal.
O Estudiantes, valente ao extremo abriu a contagem com Boselli, mas, confessando sua inferioridade, esqueceu-se de atacar e só quis mesmo se defender e garantir o 1 a 0.
Quase conseguiu.
Marcava bem em todos os setores do campo, cedia espaços que não incluía sua grande área e o grande favorito somava posse de bola com poucas finalizações acertadas.
O gol da vitória espanhola, de Messi, foi de peito, completando um cruzamento de Daniel Alves e só surgiu na segunda etapa da prorrogação.
Parêntese: gols inusitados acontecem na final da Copa dos Campeões: o de Raí, para o São Paulo em 1992 e que derrotou o mesmo Barcelona foi de barriga.
Fecha o parêntese.
Mesmo com o domínio territorial da partida, o que torna meritório o seu triunfo o time catalão chutou pouco ao gol quase não dando trabalho a Albil, o goleiro argentino.
Que se não estivesse adiantado não teria tomado o gol de Pedro que levou o jogo para a prorrogação.
Grandes jogos (e pequenos também) continuam sendo decididos em pequenos detalhes.
Messi, para completar sua consagração deve receber nesta segunda-feira o prêmio de melhor do mundo da FIFA.
E o Barça, com méritos o campeão do mundial interclubes está longe de ser o time de sonhos dos bons tempos de Rivaldo, de Cruyff, de Romário, de Ronaldo e notadamente de Ronaldinho Gaucho.
Em matéria de sonho quase naufraga num pesadelo em Abu Dhabi.
BRASIL, O AUSENTE PRESENTE
O Brasil, mesmo quando não comparece marca presença e o atacante Denílson, do Pohang Steeelers, sobre quem escrevemos aqui no site semana passada voltou a brilhar na decisão do terceiro lugar.
Seu time empatou (1 x 1) no tempo normal com o mexicano Atlante e venceu nos penais ganhando o troféu de bronze da competição.
Denílson fez o gol dos coreanos e com quatro tentos em três partidas tornou-se o maior artilheiro na história dos mundiais de clubes da FIFA.
RESPEITEM O CANTO DO GALINHO
Entre outros recados importantes dados por Zico nesta semana aquele em que ele fala do goleiro da seleção brasileira me pareceu o mais importante de todos.
O Galinho sabe das coisas como poucos, viveu conquistas memoráveis e somou desencantos inolvidáveis.
Sabe o que fala já que o faz como alguém que vivenciou essas passagens.
Zico descreve o grupo do Brasil na África do Sul como difícil, não dificílimo.
Como existem três concorrentes a duas vagas o grupo brasileiro está acima do que se poderia rotular como apenas morno.
A própria Coréia do Norte é olhada com respeito pelo antigo craque e leve-se em consideração o fato de sua militância por tantos anos no futebol do Oriente distante.
Fico a imaginar os pequeninos coreanos que vi na Copa da Inglaterra mandando de volta a orgulhosa seleção italiana e fazendo 3 a 0 em Portugal e só caindo depois pela grande seleção que os lusos tinham na oportunidade.
Cuidado é sempre bom em todos os sentidos, mas principalmente quando é futebol o nome do jogo.
Onde as palavras de Zico ganham uma intensidade mais profunda é quando analisa a participação do Brasil nas Eliminatórias Sul-Americanas e focaliza o estupendo desempenho do goleiro Julio Cesar em várias contendas.
Não foi um e nem apenas dois os cotejos em que o goleiro da Internazionale de Milão se sobrepôs ao restante do elenco e com defesas estupendas saiu de campo como o melhor da partida.
Não precisa ser Zico para saber que quando o goleiro é o melhor do jogo o restante da equipe, defesa principalmente, não foi bem.
Mas, a análise do craque é perfeita.
Se temos em Júlio Cesar uma das melhores referências da posição no concerto do futebol mundial da atualidade o mesmo juízo não se estende ao todo de nossa defensiva.
Por diversas vezes a mesma mostrou furos e não temos ainda sequer a definição absoluta dos titulares.
Tudo isso é ponto complicador para nossas pretensões na África do Sul.
A seleção brasileira está viciada no jogo em contra-ataques e isso não é uma boa referência.
Mesmo longe da máquina de jogar futebol de 1958 ou 1970 é necessário no mínimo o acúmulo de uma sequência de jogadas que permita a posse de bola na maior parte do tempo de jogo e não apenas a perspectiva da retomada da mesma.
Jogar na espera do erro do adversário é uma temeridade.
Tomar a iniciativa é sempre mais positivo para um time que sabe a força que tem e que por isso mesmo se torna o objeto de desejo de todo adversário.
A entrevista de Zico nesta semana é um ponto importante para análise do próprio Dunga e se este descer momentaneamente do pedestal em que se autoelevou só terá a ganhar.
Ele e o futebol do Brasil.
Flávio Araújo, jornalista e radialista escreve semanalmente neste site. Consulte artigos anteriores no link específico na página principal.
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