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17/05/10 - 07h52

Até Pelé fala na coerência de Dunga. Siga então a trilha do escorregão da incoerência

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Fonte: Flávio Araújo : flaypi@uol.com.br

Alguns dos ungidos de Dunga afundaram com seus times na semana que passou e ainda com os ecos da alegre convocação ressoando em seus ouvidos .

Enquanto isso aqueles que poderiam viver situação inversa e se ofuscar pela mágoa do esquecimento reagiram com firmeza e determinação.

Ou será apenas uma questão da qualidade futebolística entre uns e outros?

O contraste mais flagrante desenhou-se na pálida apresentação de Kleberson no Maracanã e no brilho vivaz e produtivo de Hernanes no Mineirão.

Enquanto o convocado se perdia na mediocridade geral que envolveu seus companheiros e sua equipe o são-paulino, de futebol muito mais vistoso e eficiente, comprovadamente muito mais atualizado e moderno, crescia e se transformava num dos fatores da vitória de seu time diante do Cruzeiro.

A mídia de modo geral aprovou a convocação de Dunga e o povo a referendou em pesquisas da maior credibilidade.

É nossa obrigação, porém, ir mais fundo no tema.

O que mais se escreveu é que Dunga foi coerente.

Confiou em seus “guerreiros” que o acompanham desde que começou a era batizada com seu nome na partida contra a Noruega (1x1) na Noruega no dia 16 de agosto de 2006.

Não quero apanhar um jogador para “Cristo”, mas como tenho que exemplificar o que falo peço que me mostrem onde houve coerência na convocação desse jogador do Flamengo.

Kleberson foi em 2002, há oito anos atrás, uma das apostas de Felipão e depois de um início em rabos de jogo no meio da Copa cresceu e ganhou o posto de titular colaborando bastante para o feito.

Na era Dunga foi um coadjuvante bissexto e que não pode ser incluído como um dos membros efetivos da “famíglia”.

No longo período de quase quatro anos não teve uma fulgurante atuação, uma só que justificasse sua presença entre os convocados.

Está com 30 anos, fora de forma e numa posição onde existem tantos valores superiores, não apenas Hernanes.

Citei o volante do São Paulo como um valor exponencial na posição, mas poderia falar em outros mais.

Colei como ilustração pelo fato de na mesma semana o futebol dos dois, Kleberson e Hernanes apresentarem condutas realmente antípodas.

Que, aqui para nós, dão bem a medida da qualidade do futebol de um e do outro.

A semana não se resumiu, porém, ao duelo à distância entre esses dois volantes.

Paulo Henrique Ganso mostrou um futebol exuberante em Porto Alegre, mesmo com a derrota do Santos.

Em contrapartida o homem da mesma posição do Cruzeiro era substituído no Mineirão e nada mostrava.

Ah, Gilberto foi convocado como lateral esquerdo, lembra-me o noticiário.

O mesmo com o bom Michel Bastos.

Mas, em seus clubes jogam como meias e temos tantos especialistas na posição de lateral ou ala pela esquerda e que não foram lembrados.

Ou se foram, como Marcelo, do Real Madrid, (melhor que Gilberto ou Michel Bastos na posição de lateral) foi para servir de estepe.

Positivamente são casos que desmentem a proclamada coerência de Dunga.       

O DIREITO DE CRITICAR

(Coluna “EM CIMA DA BOLA” publicada no jornal AGORA/SP no domingo, 15 de maio)

Acompanhando a coletiva de Dunga nesta semana lembrei-me de duas grandes figuras de nossa crônica esportiva: Thomaz Mazzoni e Geraldo José de Almeida.

Pelo que tinham de mais em comum com o que exige o atual técnico da seleção.

Mazzoni, incoerente que possa parecer não nasceu no Brasil e sim na Itália, foi o mais ferrenho defensor da seleção brasileira que conheci.

Mais até que Nelson Rodrigues, que, se elogiava muito também apontava erros eventuais.

Geraldo José de Almeida, grande locutor esportivo de uma geração anterior à minha matava pelo São Paulo e morria pela seleção.

Convivi com ambos e travamos acirrados debates.

Com Mazzoni na antiga tevê Paulista e com Geraldo no curto período em que dividimos o microfone da Rádio Excelsior numa longa excursão da seleção em 1963.

Mazzoni via a seleção como algo sagrado, acima de qualquer crítica.

Geraldo denunciava três ou quatro pênaltis a favor do Brasil em todos os jogos.

E aqueles contra o Brasil? Erro do árbitro. Ou má vontade, por que não ?

Não vai aqui nenhuma crítica ao acervo extraordinário de ambos pelo futebol do Brasil.

Foram expoentes.

Mas, lembrei-os ouvindo Dunga na terça-feira.

Conviveriam muito bem.

Dunga não aceita quem critica a seleção, mesmo sendo a crítica construtiva.

Julga estar acima das livres idéias e de quem quer manifestá-las.

Para seu desgosto as coletivas não são feitas apenas para a turma do plim-plim.

OUTRO BRASIL NA COPA DA ÁFRICA

O Brasil não será representado na África do Sul tão somente pelos atletas que formarão a seleção verde-amarelo.

Brasileiros competirão por Portugal, Alemanha e Espanha.

Há ainda um brasileiro na seleção do Japão e outro na norte-americana.

Esses, porém, podem ter nascido aqui, mas não tem o DNA de futebol brasileiro em seu sangue.

O americano, por exemplo, Benny Feihaber, é filho de estadunidenses e voltou ao país paterno com seis anos de idade.

Foi lá que aprendeu a jogar futebol.

O japonês, Marco Túlio Tanaka, está dentro do mesmo panorama.

Enquanto isso nossos técnicos continuam trabalhando para uso interno.

Somente Carlos Alberto Parreira comparecerá ao Mundial africano representando seus colegas brasileiros.

Parreira vai para o seu sexto mundial como técnico, sendo quatro por seleções estrangeiras.

Na seleção do Brasil além de ser o comandante técnico em 1994 e 2006 fez parte da comissão técnica em 1970 (preparador físico) e 1998 (assistente de Mário Zagallo).

É correto, portanto, dizer-se que participou de oito mundiais, um recorde.

DESPEDIDAS NO MILAN COM SHOW DE RONALDINHO

No final da tarde de sábado o Milan venceu a Juventus no campeonato italiano por 3 a 0.

Esse jogo teve um significado todo especial para quem acompanha o futebol global.

Foi a despedida de Leonardo, da direção técnica do Milan.

Nunca havia testemunhado algo igual: um técnico que se despede depois de não conquistar o campeonato que disputa e sair aplaudido de pé pelos torcedores.

Leonardo recebeu o abraço agradecido da platéia através de faixas alusivas e a homenagem de todos os seus comandados.

Nessa partida despediram-se do Milan também o goleiro brasileiro Dida e o zagueiro Favalli.

Ah!  Ronaldinho Gaúcho deu um show de bola no clássico italiano participando ativamente do seu todo e anotando dois gols de bela feitura.

Foi o vigésimo gol do gaucho no disputadíssimo campeonato da Itália.

Enquanto isso, Dunga  ... bem só espero que tenha visto a partida, nada mais.

Flávio Araújo, jornalista e radialista escreve semanalmente neste site. Consulte matérias anteriores no link correspondente na primeira página.

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