Ribeirão Preto, 9 de Fevereiro de 2012
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01/03/10 - 08h46

Arbitragens nas copas sempre foram contestadas. Com razão ou sem razão assim foi e assim será

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Fonte: Flávio Araújo : flaypi@uol.com.br

A arbitragem brasileira está vivendo um processo de renovação que só produzirá frutos dentro de algum tempo.

Se produzir, o que só será alcançado se a paciência de torcedores e dirigentes suportarem tantos erros.

Esse problema não é só brasileiro e mais do que nunca está explícito que os árbitros erram em demasia pelo fato de que apitar futebol é uma das funções mais difíceis que os humanos, ditos racionais, tem de executar.

As entidades vão aos poucos entendendo essas dificuldades e a atitude da própria FIFA em aceitar que é dado aos árbitros de futebol o direito de errar.

A organização maior, na escolha dos apitadores que irão ao mundial deste ano na África do Sul indicou entre outros “indigitados” o sueco Martin Hansson que tanta polêmica causou ao validar o gol que classificou a França na partida contra a Irlanda.

Aquele lance em que Tierry Henry ajeitou a bola com a mão para que Galas, seu companheiro, a remetesse aos cordéis irlandeses.

Nada, nada “só” tirou um país de uma Copa do Mundo.

No caso, a Irlanda.

Seu auxiliar naquele jogo, o também sueco Stefan Wittberg, que em última análise poderia ter evitado a barbaridade, também vai à Copa.

Acontecimentos como este deveriam influenciar o suficiente para que o árbitro não merecesse a honra de apitar uma Copa do Mundo.
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A FIFA não pensa assim e na verdade está, como se diz popularmente, dando canja para o azar.

As Copas do Mundo registram erros grosseiros de árbitros dos mais diversos países e contra tudo e contra todos.

A maior calamidade foi o gol com a mão de Diego Maradona para a Argentina contra a Inglaterra no mundial de 1986 e que foi ganho pelos nossos vizinhos do sul.

O autor da façanha, além de Diego, foi o árbitro tunisiano Ali Benaceur.

Comentou-se na época que os árbitros deveriam sempre proceder de países com alta linhagem futebolística.

Mas o que dizer de Graham Poll, o inglês que tanto prejudicou a Itália em 2002, ou do suíço Abraham Klein em 1982 ao não marcar um penal cometido por Gentile em Zico na partida em que o Brasil foi eliminado?

O agarrão foi tão visível que a camisa de Zico, rasgada, quase lhe foi sacada do corpo.

Gotfried Dienst, um notório (pelos seus erros) árbitro suiço, arroz de festa em importantes jogos de Copas do Mundo validou um chute de Hurst na final entre Inglaterra e Alemanha quando a bola chocou-se com o travessão e sua passagem para dentro do gol ninguém viu até hoje.

Para não ficar só no passado o mesmo notório Martin “Tierry Henry” Hansson semana passada dirigiu o jogo entre Porto e Arsenal pela Liga Europa de Clubes.

Quando a bola foi recuada propositadamente pelo zagueiro Campbell ao seu goleiro que a recolheu em seus braços o árbitro marcou acertadamente a infração.

Vai daí que enquanto goleiro, zagueiro e outros ingleses discutiam com o árbitro a bola foi entregue a um português que imediatamente a tocou para outro e sem goleiro no gol este botou-a nas redes.

Foi o gol da vitória do Porto.

No jogo entre Bayer e Fiorentina um gol alemão foi marcado e o árbitro não o validou apontando um penal cometido na jogada.

O penal foi convertido e a ordem restabelecida já que em caso contrário haveria flagrante violação das leis do futebol que não permitem vantagem indevida ao infrator.

Para culminar o gol da vitória dos alemães (Klose, nos acréscimos) foi feito em flagrante impedimento.

Vejam que não são só os árbitros brasileiros que erram.

De modo geral nossa arbitragem não tem comprometido na participação de nossos apitadores que tiveram a honra de comparecer a uma Copa. 

O certo é que os mesmos tem até se prejudicado dada a participação de nossa seleção como a maior vencedora de Copas.

Por um princípio ético os árbitros de países classificados ficam de fora das etapas decisivas em um mundial.

Modo geral não tivemos nenhum erro berrante como os apontados acima pelos juízes que nos representaram.

Excetuando os anos de 1934, 38 e 1958 quando a arbitragem brasileira não foi lembrada nas demais Copas havia sempre pelo menos um representante de nosso país.

Por sinal que o primeiro, 1930, inauguração dos mundiais, Gilberto de Almeida do Rego, andou tendo problemas no jogo entre Argentina e França, em Montevideo, quando seu relógio parou e ele encerrou o jogo antes do tempo se esgotar.

Mas tudo foi corrigido a tempo.

O apitador gaucho, Carlos Eugênio Simon, indicado para apitar este ano na África vai colecionar o feito único de ser o único representante do país a apitar três Copas de forma consecutiva.

Vivendo aqui um período de arbitragens contestadas o polêmico árbitro vai buscar lá fora uma recuperação para encerrar de forma positiva sua carreira.

Situação mais ou menos idêntica viveu em 1986 o paulista Romualdo Arpi Filho que, muito criticado em arbitragens domésticas, consagrou-se dirigindo a final entre Argentina e Alemanha com um trabalho que mereceu elogios gerais.

A outra final que contou com o apito brasileiro foi a de 1982 com Arnaldo Cesar Coelho realizando excelente trabalho no cotejo entre Itália e Alemanha.

Arnaldo, hoje comentarista de arbitragens e autor de um livro sobre o tema já havia participado, sem brilho, da Copa do Mundo anterior, em 1978 na Argentina.

Nomes bastante conhecidos da arbitragem brasileira como Armando Marques (1966/74) e José Roberto Wright (1990) apitaram Copas em que o Brasil não foi bem.

Nem por isso suas atuações tiveram destaques especiais.

Outros árbitros brasileiros presentes em Copas do Mundo:

Alberto da Gama Malcher e Mário Gardelli (1950); Mário Vianna (1950 e 1954, ocasião em que causou grande polêmica por criticar publicamente a atuação do inglês Arthur Ellis na eliminação do Brasil diante da Hungria nas quartas de final.

Chegou a invadir o campo nesse histórico jogo e comenta-se que nossa arbitragem não foi convidada para o mundial seguinte por esse fato.

O controvertido João Etzel Filho teve um bom papel na Copa do Chile em 1962.

Etzel foi tecnicamente um dos maiores árbitros de nosso futebol, apenas que nem sempre se deixava guiar só por princípios éticos.

Outro que não agradou foi Ayrton Vieira de Moraes, que pelo seu físico avantajado tinha o apelido de Sansão e esteve presente no Mundial do México em 1970.

Dirigiu o cotejo Itália 0 Israel 0 na etapa inicial e ... nada mais.

Outro árbitro gaucho, Renato Marsiglia, foi o representante brasileiro na Copa do Mundo de 1994 nos Estados Unidos e deixou a mesma boa impressão que sempre teve nas suas atuações domésticas.

O discutido árbitro mineiro Márcio Rezende de Freitas, junto com o auxiliar Arnaldo Pinto participou da Copa de 1998 na França.

Sem cometer os mesmos deslizes que o marcaram em jogos nacionais não deixou saudade em sua participação na França.

A presença de Carlos Eugênio Simon pela terceira vez consecutiva longe de significar a coroação de uma carreira brilhante reflete a ausência de grandes árbitros no futebol do Brasil na atualidade.

Sem ser uma unanimidade nacional Carlos Eugênio Simon terá na África do Sul a oportunidade de fechar de forma menos criticada a sua sinuosa carreira em termos nacionais e também de pouca expressão nas duas Copas anteriores.

Flávio Araújo, jornalista e radialista escreve semanalmente neste site. Busque matérias anteriores no competente link na página inicial.

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