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15/12/11 - 11h42

América do Sul x Europa: como nos velhos tempos

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Fonte: Flávio Araújo (flaypi@uol.com.br)

A Copa Intercontinental teve início no ano de 1960 quando os campeões da Libertadores da América e da Europa decidiam em dois jogos o título mundial interclubes.

Não havia o referendo oficial da FIFA.

Na primeira disputa o Real Madrid venceu ao Peñarol uruguaio, 0 a 0 em Montevideo e 5 a 1 em Madrid conquistando o primeiro titulo em disputa.

Atualmente a competição é oficializada pela FIFA e passou a contar com 1 representante de cada continente.

Seria um torneio de alto nível não fosse essa diferença flagrante do futebol que se pratica na Europa e na América do Sul em relação às demais regiões do globo.

Nesses locais estão as seleções campeãs do Mundo e por via de consequência os times de maior representatividade.

No próximo domingo a velha decisão entre o campeão da América do Sul e o da Europa será revivida.

Santos e Barcelona prometem um espetáculo memorável de Yokohama para o mundo acompanhar.

Na definição da forma instituída pela FIFA e que foge à uma distância imensa do que se poderia considerar um mundial entre os melhores clubes do Planeta.

A FIFA deve pensar numa nova forma de organizar essa competição, talvez buscando um ranking entre clubes de outros continentes ou voltando a disputa ao velho estilo dos tempos iniciais.

Não é todo dia que existe um Mazembe a interferir nos destinos do mundial de clubes.

O Santos encontrou dificuldades para chegar à final e isso pelo fato do seu adversário, o japonês Kashiwa Reysol ser um time já organizado e com bom sentido do que é o futebol.

O mesmo não aconteceu com o adversário do Barcelona, o Al Sadd do Qatar, praticante de um futebol incipiente e sem condições técnicas para participar de uma disputa de tal nível.

A vitória do Santos (3x1) diante da equipe japonesa na quarta-feira foi merecida, mas denunciou falhas no Santos e que terão de ser corrigidas para a decisão diante do Barcelona no próximo domingo.

O Santos venceu pela qualidade individual de alguns de seus valores, Neymar, Ganso, Borges, Danilo e poucos mais à frente dos demais.

Faltou algo mais, no setor defensivo santista para que se possa considerar a equipe na mesma altura do Barcelona para um jogo de igual para igual.

Olhando por esse ângulo, porém, o Barcelona comparece sem que tenha tido necessidade de mostrar suas cartas em seu jogo que o credenciou para a final.

Lógico que isso em virtude da fraqueza de seu contendor, o Al Sadd do Qatar.

Se o Santos teve que trabalhar diante do bem organizado conjunto japonês o Barcelona realizou um treino de desintoxicação e jamais foi molestado pelo representante asiático.

Deu-se ao direito de poupar alguns titulares e curiosamente 3 dos seus 4 gols, o placar final foi 4 a 0, foram marcados por brasileiros.

Adriano 2 e Maxwell outro, brasileiros que não atuariam se o Barcelona jogasse com equipe completa.

Esqueçamos, portanto, as semifinais e partamos diretamente para o confronto do próximo domingo.

O Santos é mais do que mostrou em seu jogo diante do Kashiwa Reysol e o Barcelona nem precisou mostrar seu grande futebol diante do Al Sadd.

O Santos precisa se superar e contar com uma tática defensiva mais aprimorada, principalmente no tocante às laterais.

Do Barcelona basta o que jogou no seu último cotejo diante do Real Madrid pelo campeonato espanhol.

O Santos tem alguns valores individuais, Neymar e Ganso à frente, de altíssima qualidade e da produção destes depende a sua real possibilidade na decisão do mundial.

O Barcelona tem todo um elenco altamente equilibrado e sem necessidades específicas de atuações individuais excepcionais deste ou daquele.

Assim mesmo a grande esperança é que haja a possibilidade de um duelo extraordinário e especificamente entre Messi, o melhor do mundo na atualidade e Neymar, a esperança brasileira de voltar a ter um melhor do mundo. 

OS MELHORES DO BR/11

Encerrado o campeonato brasileiro de 2011 vivemos aquele período em que não existem jogos oficiais no país, mas muitas coisas importantes se desenrolam nos bastidores.

Em razão da crise financeira na Europa já não existe aquela azáfama de clubes europeus roubando nossos principais valores e o caminho inverso poderá ser percorrido por muita gente.

Cedo para efetivação de negócios pensemos um pouco no certame que passou.

Não concordei no todo com a escolha da CBF quanto aos melhores do BR/11 embora sabendo que todos os escolhidos tiveram seus méritos.

A seleção oficial do campeonato dentro dos critérios da entidade ficou assim constituída:

Jefferson, goleiro do Botafogo, foi o preferido, ficando na lateral direita o jovem Fagner, revelação que o Corinthians desprezou e que o Vasco bem usou.

Foram muitos os bons goleiros do campeonato e Jefferson mereceu a indicação embora caísse no final do certame juntamente com o todo de sua equipe.

Entre os que brilharam no BR/11 gostaria de fazer justiça a Márcio, o goleiro/artilheiro do Atlético Goianiense e um dos principais responsáveis pela qualificação de sua equipe para a Copa Sul-Americana.

Meu escolhido para a ala direita foi Mário Fernandes, o ala do Grêmio que recusou o convite para formar na seleção de Mano Menezes e por isso não foi sequer relacionado pela CBF entre os 3 melhores da posição.   

O fato de não aceitar formar no selecionado brasileiro pode ser passível de críticas, mas não apaga o que o jogador fez de bom na defesa de sua equipe dentro do campeonato.

Dedé, o central do Vasco foi unanimidade e em pouco tempo estará como titular na seleção formando dupla com Thiago Silva.

É só esperar para conferir.

O outro central preferido na escolha oficial foi Rever do Atlético Mineiro enquanto meu escolhido foi Leandro Castán, do Corinthians.

Também na lateral ou ala esquerda minha escolha não coincidiu com a oficial.

Na premiada equipe da CBF o escolhido foi Bruno Cortês, do Botafogo enquanto minha preferência recaiu em Juninho, do Figueirense.

Quero concordar que Cortês foi uma das boas figuras do campeonato, mas caiu muito de produção depois que passou a ser chamado para a seleção.

Ralf, Paulinho, Diego Souza e Ronaldinho Gaúcho foram a boa escolha da seleção oficial. Sem contestações.

Como tenho certa tendência a colocar jovens jogadores de equipes menores em minhas seleções encontraria aí um lugar para Osvaldo, do Ceará.

Atuando no lugar de Ronaldinho Gaúcho tornaria a equipe bem mais ofensiva.

Na frente não se discute: Fred e Neymar.

Embora Borges tenha sido o artilheiro da competição (23 gols) e uma conquista valorizada por fazer gols por uma equipe que bem cedo deixou de se interessar pelo campeonato.

No entanto, Fred cresceu muito, ficou apenas com um gol a menos e mereceu ser escalado.

Não escolheria um melhor árbitro para o campeonato já que essa figura a rigor não existiu.

Os melhores acertaram e erraram numa medida de equilíbrio e julgo ser impossível apontar que um tenha errado menos ou acertado mais.

Assim, sem melhor árbitro no BR/11.

Agora, técnico foram muitos os destaques e creio que a indicação de Jorginho seria das mais merecidas.

Seu trabalho no Figueirense fez da equipe de Santa Catarina uma das melhores do campeonato.

Entretanto não discordo da indicação da dupla que dirigiu o Vasco da Gama, eleita na seleção oficial.

Julgo que houve aí uma homenagem acima de qualquer discussão sobre mérito para com Ricardo Gomes pelo problema que enfrenta.

Cristóvão Borges, o interino que segurou as pontas no Vasco da Gama também nesse caso não poderia ficar fora e teve méritos inegáveis.

Outro que teria todos os méritos para ser o técnico do certame foi Tite, do Corinthians.

Se tenho observações críticas ao trabalho do mesmo é por gostar antes de tudo do futebol ofensivo, mas Tite trabalhou sempre para vencer o certame e afinal o conseguiu.

Também foi muito bem escolhido o meia Wellington Ném, do Figueirense, para revelação do certame.

SELEÇÃO DO AGORA/SP

Meus companheiros do AGORA/SP, jornal onde mantenho uma coluna aos domingos, reuniram-se para escalar a seleção do BR/11 que ficou assim definida:

Fernando Prass; Fagner, Dedé, Leandro Castán e Bruno Cortês. Paulinho, Ralf e Diego Souza. Fred, Borges e Neymar.

Também aí tive minhas divergências e minha principal discordância é quanto a colocação de 2 centro-avantes de estilo idêntico num mesmo time.

O jornal escala ainda uma seleção com a pontuação obtida pelos jogadores rodada a rodada.

Como não há a soma de todas as rodadas e também os atletas não participam de todas, aquele que alcançar uma nota altíssima poderá ser escalado mesmo tendo atuado num número menor de cotejos.

Isso resultará em detrimento de outro que tenha obtido um conjunto de atuações mais equilibradas.

A escalação dentro desse critério ficou assim: Rogério Ceni; Danilo (Santos), Antônio Carlos (Botafogo), Paulo André (Corinthians) e Fábio Santos (Corinthians). Ralf, Marcos Assunção, Juninho Pernambucano e D`Alessandro. Neymar e Ronaldinho Gaúcho.

Indiscutivelmente uma excelente seleção.

(Flávio Araújo)

Veja mais colunas de Flávio Araújo.

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