22/02/10 - 07h52
Fonte: Flávio Araújo : flaypi@uol.com.br
Antes de mais nada, palmeirense, não se fie em demasia nesta vitória de seu time diante do São Paulo.
Valeu, claro, como um triunfo num clássico diante de um dos dois maiores rivais do seu time preferido.
Além disso a presença de um novo técnico faz o elenco se mexer e Antonio Carlos Zago foi muito feliz naquilo que modificou no vicioso esquema em que a equipe jogava sob o comando de Muricy Ramalho.
Mas, dê tempo ao tempo, não solte foguetes com antecedência.
O São Paulo foi um desastre e só estava pensando em Libertadores.
Assim sendo, entremos no tema Muricy Ramalho.
Sem foguetes, sem retratos, sem bilhetes, como no velho samba de Noel Rosa o Palmeiras se descartou de Muricy Ramalho depois de apenas 8 meses de uma convivência nada tranquila.
Não deu liga, segundo alguns dirigentes do Verdão.
Justificando-se um naufrágio recorreram ao conceito de que o técnico é sempre o culpado em quaisquer circunstâncias negativas que determinem o fracasso de um time.
Nada de específico, só conceitos prevalecendo.
Assim foi, assim é e assim tudo indica, continuará sendo no futebol do Brasil e do mundo.
Em realidade mesmo, Muricy é apenas mais um técnico igualzinho à maioria.
Como diferencial, profissional trabalhador que é, programa treinos secretos, afasta imprensa (com quem jamais se afinará) e não critica atletas que não se enquadrem em seu sistema.
O problema é que os treinos secretos jamais rendem as esperadas jogadas ensaiadas.
Se elas existem, continuam secretas.
Sua sisudez e seu mau-humor são o espelho de seu trabalho.
Profissional vitorioso com bons jogadores no São Paulo e no Internacional, no Palmeiras recebeu um bom conjunto e devolveu esse arremedo de time que aí está.
Repito, o efeito da vitória palmeirense sobre o São Paulo pode ser de curta duração.
Quanto a Muricy, não tem desculpa.
Até aí falo do técnico dispensado na repetição do jargão futebolístico plagiado de conhecido refrão: “chove, culpe-se o técnico”.
No caso do Palmeiras, porém, o problema é mais em baixo.
Ou melhor, é mais em cima.
Reside na Presidência do clube que não soube segurar os cordéis em tempo hábil e dominar o Butantã que através da história mina as entranhas palmeirenses.
A política interna no Parque Antártica é de assustar com os grupos se digladiando pelo comando geral e com os membros das falanges se devorando por postos de destaque.
Luiz Gonzaga Belluzzo foi a maior decepção dentro das mazelas expostas no drama do clube que preside.
Pelo que representou sua eleição e pelo que transmitiu em seus discursos e entrevistas logo após o pleito.
Entusiasmou-me a palavra de alguém que prometia algo novo na gestão de um clube.
Era um verbo diferente daquele que estamos acostumados a ouvir entre os que são escolhidos para a honrosa missão em quaisquer de nossas agremiações de alto nível.
Não foi preciso muito tempo para mostrar que se tratava de um torcedor comum, dos mais fanáticos, alguém da escola Eurico Miranda, mas por mais paradoxal que aparente, que vinha de um ambiente superior e falava um idioma de alta classe.
Fora o fanatismo do torcedor, depois de um ano de governo, só um exemplo basta para ilustrar nossa crítica:
Onde está o início do estádio prometido com data de inauguração marcada previamente?
É só um exemplo, mas engloba tudo que fica embutido em seu bojo.
Então, descartaram o esperto Muricy seguindo a regra geral e jogaram o abacaxi nas costas de Antonio Carlos Zago.
Zagueiro viril, respeitado em sua área até mais pelo físico do que pela técnica já prestou bons serviços ao clube como atleta, diferentemente de Muricy, egresso das falanges inimigas.
Como técnico tem apenas sete meses de estrada.
Chega num momento de recolher os cacos em um time em frangalhos.
Se sua credencial são os 4 a 1 humilhantes o seu então São Caetano vinha de ser humilhado em sua casa pelo Rio Branco, um dos rabeiras da competição.
Tornou o São Caetano bom ou é o Palmeiras que está mesmo ruim?
Não para a primeira e sim para a questão seguinte.
Acertou em cheio ao diminuir a profusão de volantes marcadores e dar alguma liberdade aos improvisados atacantes que possui.
Mas, foi muito mais um São Paulo apático, sem apetite para o jogo que o Palmeiras venceu com méritos justificados em sua vontade de ganhar.
Um ponto é pacífico: para o elenco que possui o Palmeiras não precisa de Muricy Ramalho ou qualquer outro técnico estrelado.
Esperemos o trabalho de Antonio Carlos depois da euforia da vitória num clássico.
NÃO ENCONTRO ARGUMENTOS NA DEFESA DO PAULISTÃO
Enquanto o campeonato carioca vive a vibração de jogos de alta ressonância o certame paulista naufraga no pior de seus quesitos.
Os clássicos decisivos empurram o certame do Rio para um nível do qual o paulista não conseguirá sequer se aproximar.
Na grande vitória do Botafogo diante do Vasco (2x0) o público total somou 81.902 espectadores.
Nesse jogo do Rio de Janeiro merece realce o crescimento do Botafogo que conquistou a Taça Guanabara e o direito de estar na final do certame carioca e também o brilho extraordinário da estrela de Joel Santana.
Pode não luzir na África, mas no Rio é com ele mesmo.
Voltando a falar na fraca presença de público nos jogos do Paulistão na partida entre Palmeiras e São Paulo (2x0) a soma de torcedores presentes chegou ao desprezível numero de 13.590 espectadores.
Não dá para se sustentar futebol com custos vultuosos com o público que comparece aos jogos atuais.
Mesmo com partidas agradáveis como aquela que disputaram Mirassol e Botafogo (1x1) na semana passada.
Tanta luta para quantos assistentes?
No jogo entre Rio Branco e Monte Azul (0x0 no dia 17.2) compareceram 177 testemunhas.
A Federação exige estádios com capacidade mínima para um clube ser promovido e depois que isso acontece ele sai de Monte Azul e vai jogar em São Carlos.
Sim, antes que você me corrija vou dizendo que o mando era do Rio Branco e ele é que não tinha o estádio em ordem.
Então, sem estádio, nem poderia estar no campeonato.
...
OS MENINOS DA VILA REVIVEM O VELHO SANTOS.
Não me perguntem que não saberei responder quantas goleadas narrei na Vila Belmiro infligidas pelo grande Santos de Pelé e companhia bela aos incautos adversários que tinham a ousadia de enfrentá-lo.
Mas sei que as cenas se repetiram na última semana e para se enquadrar na mesma visão até o adversário conseguiu comemorar três gols.
Naquele tempo era assim...
A defesa santista sofria 2, o ataque fazia 4.
E seguia a mesma proporção aritmética.
Quem viu está revendo.
Está embalando o jovem time do Santos e com São Paulo e Corinthians interessados na Libertadores acima de tudo e o Palmeiras com um elenco dos mais limitados o Paulistão parece ter endereço certo.
A vitória apertada em Mirassol, sem Neymar e Ganso, fala de seriedade e vontade de vencer.
Os novos meninos da Vila se transformam em novos Robinhos.
Ele ficará por pouco tempo, mas a escola em igual período estará completa.
Permanecerá até a formatura?
Flávio Araújo, jornalista e radialista escreve semanalmente neste site. Consultem matérias anteriores no link competente na página de abertura.
17/05/10 | Coluna Flávio Araújo
Até Pelé fala na coerência de Dunga. Siga então a trilha do escorregão da incoerência10/05/10 | Coluna Flávio Araújo
Difícil de acreditar, mas a FIFA também tem seu lado humano03/05/10 | Coluna Flávio Araújo
No título do Santos o brilho maior foi do Santo André e de Paulo Henrique Ganso19/04/10 | Coluna Flávio Araújo
A irracionalidade invadiu os gramados. Agora ela não habita apenas as arquibancadas dos estádios© 2002-2010 Ribeirão Preto Online - Um novo jeito de ver Ribeirão. Todos os direitos reservados.
Ribeirão Preto Online é um produto da Empresa Brasileira de Mídia Online, é proibida a reprodução do conteúdo dessa página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso sem uma prévia autorizaçao.