28/12/09 - 08h37
Fonte: Fonte: Flávio Araújo : flaypi@uol.com.br
Ninguém pode, em sã consciência, deixar de aplaudir a política da FIFA para a expansão do futebol em todos os quadrantes do Planeta.
Tempos existiram, sim, quando a entidade só tinha olhos para a Europa e era visível o desprezo pelo resto do mundo.
Tudo se modificou depois que João Havelange se elegeu presidente da entidade em 1974 e tornou-a realmente algo de alcance e repercussão planetária.
Hoje a FIFA desenvolve um trabalho que faz com que o futebol se torne o esporte mais popular praticamente em todos os Continentes e por via de consequência em quase todas as nações por eles abrigadas.
São raras as exceções: Índia, Paquistão e poucos países da parte oriental da Terra onde a bola não rola.
Mas, onde chegará com a política praticada pelo organismo central.
Onde a FIFA peca é nessa visão européia de só valorizar os que estão lá, no seu Continente sede.
Vejam a escolha dos melhores do mundo no futebol e me neguem a razão se eu não a tiver.
O prêmio de melhor do mundo foi instituído em 1991 quando o alemão Lothar Matthäus foi o primeiro aquinhoado.
Na sequência de 18 anos o futebol brasileiro foi o mais aquinhoado com oito vencedores da Bola de Ouro da FIFA.
É verdade que Ronaldo ganhou por 3 vezes, Ronaldinho Gaucho 2 e Rivaldo, Romário e Kaká completaram o recorde.
Mas, é ai que entra a pergunta:
Esses brasileiros foram aprender a jogar futebol na Europa ou muito do que mostraram ao mundo já saíram do Brasil praticando?
Claro que o final é o item correto, até porque, assim não fosse, não teriam sido contratados por cifras tão elevadas.
Atuasse Messi na Argentina, fosse o Independiente o seu clube e com a camisa deste disputasse a Libertadores e a final diante do Barcelona mudaria alguma coisa?
Claro que sim.
Messi não teria ganho o prêmio que tanto mereceu.
Também não serve apontar a nossa Marta como vencedora que não joga na Europa e sim no Brasil.
Jogou no Brasil (no Santos) eventualmente por 2 meses por estar seu clube nos Estados Unidos em fase de recesso, como antes jogou por 3 temporadas na Suécia.
Estender sua visão para o mundo é uma necessidade da FIFA e encontrar os valores em suas filiadas é obrigação.
Caso contrário tenho todo o direito de pensar que a FIFA expande o futebol pelo mundo para fazer a alegria dos europeus para onde todos os bons de bola acabam se mudando.
E ainda tenho mais cartas a jogar dentro do tema.
O melhor gol da temporada para Cristiano Ronaldo foi uma piada.
Gols de chutes de longa distância, bonitos, bem feitos, acontecem às dezenas a cada semana nos campos de futebol do Brasil e do mundo.
Iguais ao do mascarado astro português.
Agora, quero ver fazer gols como aquele do Nilmar pelo Inter contra o Corinthians ou o de Grafite e que foram selecionados entre os mais belos da temporada.
Aqueles foram gols para o mundo aplaudir e premiar.
A única dificuldade, se critério houvesse, seria escolher qual dos dois foi o mais bonito e digno do prêmio.
O gol de Cristiano Ronaldo deve ter deixado Ferenk Puskas, o patrono do laurel, envergonhado lá nos Campos do Senhor onde hoje desfila sua alta categoria de gênio da bola.
MASSIFICAÇÃO, O CAMINHO PARA AS MEDALHAS
Investir só em potenciais eminentes medalhistas significará sempre alcançar o mais do mesmo para os mais diversos esportes brasileiros.
De quando em vez o Brasil é sacudido por um fenômeno esportivo que levanta um alarido capaz de percorrer todo o país e nos faz pensar que um novo sol está raiando.
Seja qual for a disciplina esportiva individual assim tem sido e assim será na política imediatista do sonho de medalhas para ontem.
É a política vigente no Comitê Olímpico Brasileiro quanto a distribuição das verbas que estão sendo carreadas hoje até em bom volume.
Pode melhorar, mas a forma de classificação tem de ser modificada.
Não é o caminho correto investir prioritariamente em quem pode ganhar.
Hoje. Agora.
O esporte tem que pensar no amanhã e fazer de seu pensamento um imenso lençol que abranja todas as distâncias deste país.
Como as Olimpíadas só acontecerão dentro de mais de seis anos há a quase certeza de que os poucos que atingiram níveis de medalhistas no presente - com as raras exceções costumeiras - não sobreviverão nas pistas, nas piscinas ou até nas quadras até lá.
Exemplos como o de Cesar Cielo são nada mais do que as exceções que confirmam a regra.
Como quase todos os fenômenos do nosso esporte Cielo surgiu sem se saber de onde e vai atingir culminâncias também desconhecidas.
Mas, assim como Guga e tantos outros, quando o Manezinho de Florianópolis começou a ganhar torneios mundiais esperava-se que o tênis explodisse por todos os lados do país.
Onde estão nossas raquetes de nível mundial?
Para uma única promessa daqui a Argentina nos acena com dezenas.
Tudo pela massificação do esporte.
O futebol é coisa inata no Brasil e só pode ser olhado como a nossa jabuticaba esportiva.
O mais tem que ser muito bem trabalhado.
O Brasil ganhará medalhas olímpicas a mancheias 20 anos depois do esporte se instalar de verdade nos jardins da infância de nossas escolas.
Públicas e privadas.
Também quando nossos atletas não precisarem mais ir treinar nos Estados Unidos como faz Cielo e como fizeram tantos outros fenômenos que o antecederam.
E que geralmente vão e ficam por lá até perdendo o vínculo com as coisas da terra.
No futebol isso acontece, mas é diferente.
Nossos futebolistas vão criar modelos lá fora, enriquecer, voltar sempre e ainda batendo uma bola legal.
Nos esportes individuais o farelo é mais fino.
Aqui retornam esporadicamente e só não perdem o vínculo pelas competições internacionais em que participam.
Para aqui retornam esporadicamente falando até com sotaque.
A propósito, você sabe onde vive e trabalha Joaquim Cruz?
PS. Como este é o último trabalho do ano aqui no Ribeiraopretoonline aproveito para desejar a todos um 2010 pleno de saúde, paz e alegria, como dizia um antigo locutor-esportivo. E que no ano que aí vem vindo estejamos juntos em todo o seu transcorrer. Felizes Festas a todos.
Flávio Araújo, jornalista e radialista escreve aos domingos neste espaço. Correspondência para o E-mail: flaypi@uol.com.br
Comentário enviado por Keren Luana em 28/12/09
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