Ribeirão Preto, 22 de Maio de 2012
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27/09/10 - 07h56

A data correta não importa. O que vale é o Rádio estar vivo

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Fonte: Flávio Araújo : flaypi@uol.com.br

No princípio era o verbo.

Só e nada mais.

Do anunciar de seus primeiros vagidos pouco se sabe.  

Seu fundador não queria no mesmo nada de comercial.

Música clássica, no máximo, seria admitida.

Para o introdutor o rebento nascia com finalidades elitistas.

Era o rádio que surgia no Brasil em 1923 onde tantas coisas se iniciavam em paralelo.

O Brasil não tinha nada além da valentia e vontade de seu povo.

Vivia-se, inclusive, um período de crises políticas onde o Estado de Sítio era rotineiro.

Já imaginaram que momento para o desabrochar de um componente futuro da vida combativa de uma imprensa responsável por todas as denúncias que permitem a existência da democracia neste país continente?

Outro mundo, outra visão, mas desde então essa conduta elitista onde os poderosos tudo podem e o povo só avaliza.

Ou não estamos comprovando tudo isso às vésperas de novas eleições majoritárias?

Mesmo com uma imprensa livre, unidos rádio, televisão, jornais, revistas e a nova componente da família, a novel internet?

Fiquemos na simbologia do dia do rádio e respeitemos a vontade do povo marcado e feliz.

Reservando-nos o direito de alertar sempre para que as vozes não se calem num futuro próximo comandado por quem considera excessiva a liberdade de imprensa no país.  

Ou também que considera que essa imprensa existe só para elogiar duvidosos feitos.

Voltemos ao rádio em seu dia.

Aleatoriamente consideram o 25 de setembro como “dia do rádio”.

Por ser o natalício de Edgard Roquette Pinto.

Nada mais falso.

Esse notável cientista só trouxe o rádio importando componentes dos Estados Unidos.

Foi seu introdutor, foi o primeiro proprietário de uma emissora e como era antes de tudo um cientista e patriota não tinha nenhum interesse maior no mesmo que não fosse transformá-lo em veículo de educação.

Tanto que fundou a emissora e depois a doou ao governo.

No sentido totalmente inverso ao que hoje se faz.

Como invento em realidade o rádio teve origem brasileira com Roberto Landell de Moura no princípio do século passado.

Assim, como o autêntico criador nasceu no dia 21 de setembro de 1861 o “dia do rádio” deveria ser comemorado nesse dia.

Acrescento que existem controvérsias também em torno da data exata em que nasceu o grande inventor gaucho.

O que não minimiza as injustiças já que o verdadeiro criador do rádio nenhuma honra pelo feito recebeu em vida.

Muito ao contrário.

Para ter algumas patentes reconhecidas teve que ir bater às portas dos norte-americanos.

O padre Landell de Moura, sim, esse inventor era um padre católico, foi quem criou os princípios práticos do rádio.

Antes de Marconi, que inventou o telégrafo sem fio, ou Hertz, que trabalhou na elaboração de ondas radiofônicas.

Roquette Pinto instalou a primeira emissora em sociedade com Henrique Morize, um astrônomo francês com cidadania brasileira.

Ambos cientistas, ambos estudiosos, ambos com créditos indiscutíveis na instalação da primeira emissora, mas não inventores do rádio.

Essa a verdade que se pode reconstituir.

Sem tirar os méritos de quem os merece, o inventor Roberto Landell de Moura.

Ao padre Moura fecharam-se as portas governamentais e foi por muitos olhado de esguelha como uma espécie de cientista maluco, um professor Pardal da época.

Decênios depois, com o rádio instalado e funcionando, Roquette Pinto acabou vencido em suas idéias de um organismo que só educasse, no máximo divertisse.

Não aceitava nem de leve a possibilidade de um rádio comercial e jornalístico.

Hoje, com tantos golpes recebidos o rádio ainda aí está, vivo e participante.

Pode não receber de muitos a atenção que merece.

A televisão é a prima rica.

Mas não faz nada além daquilo que o rádio já fez.

Segue seus passos e com toda a tecnologia de que dispõe copia o velho rádio em cada novo passo que dá.

Tudo que a tela emoldura em cores e visões futuristas o rádio já fez dentro de seus parcos recursos e simplicidade.

Vive e vibra esse rádio que amo e onde nasci para o trabalho de mais de 60 anos e do qual até hoje não consigo me separar.

O rádio jamais morrerá e até na internet está se infiltrando.

Na verdade a internet que lhe jogaria a pá de cal na sepultura está lhe dando uma nova fisionomia, aumentando seu gás e sua capacidade de chegar mais longe.

Levando-o para além fronteiras onde nem suas antigas ondas curtas chegavam.

Viva o rádio em seus dias, 21 ou 25, para quem o ama são todos.  

Seu irmãos de comunicação o abraçam comovidos.

Para esse rádio brasileiro, para mim de tanto valor, do gol o grito que ressoa no infinito.

Flávio Araújo, jornalista e radialista escreve semanalmente neste site.

 

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