Ribeirão Preto, 9 de Fevereiro de 2012
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19/10/09 - 08h22

A batalha Uruguai x Argentina imitou a de Itararé. Não houve. Em campo só o medo jogou

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Fonte: Flávio Araújo : flaypi@uol.com.br

Não fosse a idiossincrasia que tenho para com lugares comuns diria que depois de um longo e tenebroso inverno as partidas de qualificação para a próxima Copa do Mundo da FIFA chegaram ao seu término.

Até porque não foi apenas um longo e tenebroso inverno.

Iniciados em outubro de 2007 já se somaram três períodos invernais se atentarmos para o fato de que, quando está calor no hemisfério sul os dentes estão batendo no correspondente do norte.

Foram ao todo, no sub-continente 18 rodadas, dentro do melhor critério da FIFA de que “faturar é preciso”.

E mesmo assim as chamadas Eliminatórias não terminaram.

Restam ainda os dramas das partidas da fase de repescagem onde sempre há choros e ranger de dentes.

Aqui na América do Sul não se fugiu de uma certa lógica e a Argentina, na última partida conseguiu sua qualificação ao vencer o Uruguai em Montevidéo por 1 a 0.

Aquilo que se anunciava como “a batalha do rio da Prata” não passou de um jogo de muito medo de ambos os lados onde ninguém se arriscava esperando que do Chile viesse um grito de salvação.

Com a vitória dos andinos treinados pelo argentino Biela contra o Equador tanto Argentina quanto Uruguai poderiam ir em frente.

Um, de forma direta, outro pelo menos tendo a repescagem a acenar.

O gol da Argentina saiu quase que como um acidente de percurso dos uruguaios e estes terão que se haver agora contra a aguerrida seleção da Costa Rica, treinada pelo brasileiro René Simões.

Por sinal que a sorte não foi rica para esse belo país da América Central já que atuando nos Estados Unidos viu fugir no último instante a classificação direta quando os locais conseguiram o empate.


Assim, Honduras, que venceu El Salvador, ficou com a vaga junto com Estados Unidos e México e Costa Rica vai ter que enfrentar os uruguaios em duas partidas.

No hemisfério sul o Brasil acabou em primeiro lugar mesmo depois de sua incapacidade de fazer gol diante da Venezuela e amargar um 0 a 0 com travo de derrota.

É que o Paraguai, que poderia alcançar o posto perdeu em casa para a Colômbia e acabou permitindo que o Brasil fechasse a disputa no lugar de honra.

Assim, Brasil, Chile, Paraguai e Argentina, nessa ordem, são os sul-americanos qualificados restando ao Uruguai, se passar pela Costa Rica, completar o quinteto.

Nesse capítulo “Eliminatórias” e quando se fala na adequação de nosso calendário ao europeu é algo irracional que por aqui os campeonatos nacionais não sejam suspensos durante jogos de seleções em um período tão longo.

Na Europa ninguém joga durante os classificatórios e os clubes não são prejudicados da forma irracional como acontece em nosso país.

O RIO DE JANEIRO ESTÁ COM TUDO E MUITO PROSA

Depois de emplacar os Jogos Panamericanos de 2007, a final da Copa do Mundo da FIFA em 2014 (quem sabe também a abertura?) e as Olimpíadas de 2016 o Rio de Janeiro vai acompanhar os militares praticando esporte de alto nível.

Serão realizados na sempre “Cidade Maravilhosa” os V Jogos Mundiais Militares em 2011.


Trata-se de um evento que vai reunir 90 países e nada menos que um número entre 6 e 7 mil competidores.

Os Jogos Mundiais Militares são uma verdadeira olimpíada, talvez não em nível técnico, mas buscam uma aproximação de altos índices.

As modalidades que fazem parte do cardápio são estas:

Pentatlo-militar; tiro; paraquedismo; atletismo; triatlo; vela; natação; saltos ornamentais; pólo aquático; boxe; luta-livre; judô; futebol; handebol; vôlei; hóquei sobre grama; orientação (quem souber o que é, por favor, me esclareça); basquete; ciclismo e esgrima.

Tudo muito bonito, gerando grande expectativa na classe e quem sabe no público, não fosse um pormenor que me faz lembrar uma estorinha dos meus tempos de jogador de futebol amador.

Na Rádio Bandeirantes, no período áureo do Escrete do Rádio tínhamos também um time de futebol que se apresentava por todo o país jogando somente em caráter beneficente.

O Fiori Giglioti, que comandava o time, e jogava também, tinha uma agenda imensa a ser cumprida.

Era comum que depois de viajarmos por Seca e Meca cumprindo nossas missões de locutores esportivos fossem encaixadas viagens por todo esse interior paulista.

Quando não íamos mais longe, o que também acontecia.

No princípio nosso time era formado exclusivamente por locutores, comentaristas, repórteres, quando muito operadores que cuidavam de nossas transmissões esportivas.

A Bandeirantes, no rádio, era o que é hoje a tevê Globo.

Acontece que jogávamos sempre contra categorias profissionais, times de médicos, dentistas, advogados, vereadores, quando muito contra time de veteranos das cidades que visitávamos.

De repente fomos notando que nossos adversários melhoravam muito e passamos a sofrer seguidas derrotas.

A solução foi recorrer aos chamados “laços”.


Três ou quatro jogadores em início ou fim de carreira e que melhoraram a qualidade de nosso time e os consequentes resultados.

O Exército Brasileiro está usando o “laço” para conseguir atletas que o representem nos Jogos Mundiais de janeiro de 2011 no Rio de Janeiro.

Não nos parece uma medida ética.

A não ser que todos os países assim o façam e então os Jogos deixarão de ser militares.

Se só o Brasil o fizer estará agindo de forma desonesta com os adversários.

O Exército está oferecendo divisas de sargento, com os soldos correspondentes aos atletas olímpicos que queiram formar em suas fileiras nos V Jogos Mundiais Militares.

A informação é que Emanuel, do vôlei de praia, Tiago Camilo e João Derly, do judô, já ouviram o canto da sereia e se inscreveram como futuros soldados, ou melhor, sargentos, da Pátria.

Os interessados são tantos que se abriu uma lista de inscritos para a devida seleção.

Que conclusão podemos tirar dessa iniciativa?

Que atletas de alto nível são mal-pagos e precisam do soldo que recebe um sargento;

Que se trata de uma honra servir o Exército do país não importa como;

Que é uma forma de enganar o adversário travestindo de militares atletas profissionais consagrados.

Escolha a resposta que melhor lhe aprouver.

Lembro que Pelé foi campeão sul-americano militar em 1959, assim como Bataglia, que jogava no Corinthians Paulista.

Mas, ambos na época cumpriam o serviço militar obrigatório.

Lembro ainda que sempre condenamos a atitude de países (notadamente do Leste Europeu) que davam postos militares a grandes jogadores de futebol para que formassem em suas seleções olímpicas.

Era o tempo em que apenas amadores poderiam competir nas Olimpíadas.

Dessa maneira a Hungria foi medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de 1952 na Finlândia.

Seu time era formado por craques de primeira linha e que, pelos registros do país, eram amadores na teoria.

Entre eles, Ferenk Puskas, o grande craque que recebeu o apelido de “Major Galopante”.

Major era o posto que recebeu para jogar na seleção olímpica de seu país.

Com o soldo correspondente.

Junto dele quase todo o restante do time.

Prova da farsa: com seus falsos militares a Hungria ganhou diversas medalhas no futebol olímpico.

A Tchecoslováquia ganhou, a Polônia ganhou, a Iuguslávia e a Rússia também.

Deyna, o capitão do time da Polônia foi transformado em capitão do exército de seu país.

Kasimier Deyna era um cracaço.

Pergunta que não pode calar:

Quantos países do Leste Europeu ganharam Copa do Mundo de futebol da FIFA, onde competem as verdadeiras seleções de todo o planeta?    

Cite um só, que seja.

Não há nenhum a ser citado.

 

Assim os Jogos Mundiais Militares no Brasil em 2011 podem receber o mesmo aspecto de contaminação.

Serão disputados por militares ou por profissionais contratados pelo Exército por caminhos transversos?  

Flávio Araújo, jornalista e radialista escreve semanalmente neste site. Correspondência para o E-mail: flaypi@uol.com.br

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