17/02/10 - 11h28
Fonte: Ribeirão Preto Online
Esse jogo da seleção contra o tosco futebol da Irlanda passou a ser olhado como um teste final para o Brasil que vai à Copa da África.
Pela precipitação de Dunga que vem deixando explícito que seu time se assemelha à cidade de São Paulo, ilhada pelas enchentes desses últimos meses.
Quem está fora não entra e quem está dentro não sai.
Ainda é cedo para uma posição tão radical no chamado àqueles que irão à África do Sul e no lacre antecipado do grupo a outros candidatos.
Existem jogadores que não estão em boa fase e outros, surgindo, em condições superiores aos ungidos de Dunga.
Que a propósito não tem hoje seu posto contestado por ninguém.
Coisa rara entre os nossos técnicos em períodos tão próximos às Copas do Mundo.
A longa série de jogos que comandou naquilo que se denominou “Era Dunga” e o consequente final feliz nas Eliminatórias Sul-Americanas provam que Ricardo Teixeira estava certo ao convidar um neófito e desprezar os pós-graduados.
Mas, se o técnico consolidou posição o mesmo não acontece com alguns dos convocados que o ajudaram a chegar a essa unanimidade.
Pelas más educadas respostas do técnico todos passaram a entender a convocação daqueles que enfrentarão a Irlanda como uma passagem de vestibular para a África do Sul, a que realmente contará.
É aí que Dunga pode quebrar a cara.
Infelizmente.
É visível que há jogadores na lista que não vivem o seu melhor momento e outros que jamais estiveram à altura da missão.
O que Dunga viu, por exemplo, em Felipe Melo que eu não consigo ver?
Eu e a torcida brasileira.
Gilberto, convocação questionada, chamado para uma posição quando atua em outra, foi expulso esta semana pela terceira vez em poucos dias e não sai da lista.
É um jogador sem controle emocional e que a qualquer momento deixa os companheiros no abandono.
Sabemos que há gente melhor que Júlio Baptista, Gilberto Silva, Kleberson, Josué ... o próprio Elano.
E Michel Bastos então?
Enquanto isso Pierre é o melhor marcador que temos e o futebol exuberante de Hernanes é simplesmente ignorado.
A presença de um reserva com potencial ao lado de Júlio Cesar, titular incontestável, só melhorará o todo.
Marcos (ou Rogério Ceni) significa muito mais que Doni na composição geral.
Temos ainda as novidades de última hora e que deveriam estar merecendo atenção do treinador.
O futebol que Neymar e outros garotos do Santos estão jogando não pode ser ignorado.
Não vou fazer comparações com aquele outro menino de 17 anos que um dia foi ganhar uma Copa só pela insistência de Paulo Machado de Carvalho.
Dunga pede para não ser induzido ao erro quando deveria raciocinar se isso não poderia vir a significar solução.
Restaria ainda a análise sobre Ronaldinho Gaucho, que por si só permite constatar que temos condições para levar à Copa um grupo bem mais forte do que esse que enfrentará a Irlanda.
ORLANDO PEÇANHA, GRANDE ZAGUEIRO
Foi um dos maiores que já vi em ação o zagueiro Orlando Peçanha de Carvalho que faleceu esta semana no Rio de Janeiro aos 74 anos de idade.
Quando o vi nos gramados em suas primeiras partidas atuava no Vasco da Gama, num dos maiores times que esse grande clube já possuiu.
Orlando formava dupla de área com Belini jogando pela esquerda com o capitão da seleção de 58 atuando pela direita.
Deixou fama de zagueiro clássico que muito bem se afinava com o companheiro de estilo mais rude.
Nem uma coisa nem outra.
Belini era mesmo de mandar pro mato as bolas que chegavam sem ser propriamente um estilo tosco.
Valia-se muito de seu físico respeitável, mas também tinha seus recursos técnicos.
Orlando, sem ser propriamente um clássico era o que se pode chamar de um zagueiro completo além de ter sido um dos jogadores mais leais que conheci.
Notabilizava-se pelo sentido de colocação e pela capacidade de antecipar-se aos adversários.
Do feliz casamento da dupla de zaga muito ficou devendo o Brasil na conquista do mundial da Suécia, onde começou tudo o que de mais grandioso a seleção brasileira já conquistou.
Orlando teve depois daquele mundial passagem importante pelo Boca Juniors da Argentina e na volta ao futebol brasileiro formou no time do Santos num dos períodos de ouro de Pelé e companhia bela.
Aspecto curioso e que vale destacar é que Orlando estava em grande forma por ocasião do mundial do Chile, onde o Brasil conquistou o bi.
Só não foi chamado porque atuava fora do Brasil na oportunidade.
Que diferença dos dias atuais onde nossos atletas passam a ser mais valorizados se jogarem fora do país.
De vez em quando acontece o inusitado e alguns tem que voltar ao lar para readquirirem condições de formar na seleção.
Casos de Adriano, no Flamengo e Robinho, em sua volta temporária ao Santos.
Retornando ao grande zagueiro que foi em vida Orlando Peçanha de Carvalho lembramos que mesmo não estando tão longe assim o ano de 1958 são diversos os campeões do mundo que já o antecederam na grande passagem.
Ao todo, oito: Didi, Garrincha, Vavá, Castilho, Oreco, Dida, Mauro e Zózimo.
Orlando é o nono que nos deixa atendendo ao chamado da amiga que não perdoa.
Flávio Araújo, jornalista e radialista escreve semanalmente neste site. Consulte artigos anteriores no link na primeira página.
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