10/03/10 - 08h33
Fonte: Flávio Araújo : flaypi@uol.com.br
Conhecer a força do adversário, seus possíveis pontos vulneráveis, sempre foi da maior importância quando uma competição do vulto de uma Copa do Mundo se aproxima.
Os observadores sempre se destacaram assistindo jogos e treinos e desenhando esquemas de jogo daqueles com quem se iria confrontar.
Hoje, com a presença da televisão em todos os campos o trabalho dos espiões se tornou dispensável.
Os adversários do Brasil na primeira fase do mundial de 2010 mostraram sua face atual nesta última data FIFA e no caso da Coréia do Norte neste último final de semana.
Até que ponto as atuações de Costa do Marfim e Portugal possam ser levadas a sério ainda é algo em discussão.
Os três meses que nos separam da Copa poderão soprar ventos que levem as folhas soltas de norte para o sul e vice-versa.
A Costa do Marfim, com seu porta-estandarte Drogba e tudo o que tem de melhor apresentou um futebol sofrível em sua derrota para a fraca Coréia do Sul por 2 a 0 em amistoso jogado na Inglaterra.
Taticamente, zero sobre zero. Só rotina.
Portugal, na velha Coimbra do Choupal venceu também por 2 a 0 ao fraco selecionado da China sem mostrar nada de mais valia em suas diversas linhas de produção.
Acabaram recebendo muitas vaias de seus torcedores que só tiveram aplausos para Cristiano Ronaldo.
Que todo mundo conhece e sabe como atua.
Se alguém acredita que estavam escondendo o leite direi que o produto ainda não está em condições de ser direcionado para os recipientes adequados.
Acreditem: tanto o futebol de Portugal quando o da Costa do Marfim não sinalizaram nada daquilo que mostrarão contra o Brasil.
Assim como ninguém poderá considerar como padrão aquilo que a seleção brasileira mostrou na partida contra a Irlanda.
Dunga, Jorginho e todo mundo sabe como jogam marfinenses e portugueses.
Não haverá nada de novo sob o sol, muito menos o futebol opaco que colocaram aos nossos olhos nesses cotejos.
Restou realmente o que era uma incógnita: o futebol da Coréia do Norte, nosso adversário de estréia na África do Sul.
Estes nada esconderam porque nada tem para exibir.
É possível que tenham sido prejudicados por uma boa dose de cansaço pela viagem até a Venezuela e ainda toda a celeuma em torno de um jogo “arrumado” em cima da hora.
Os coreanos jogariam contra o Chile e foram parar na Venezuela em razão do terrível terremoto que ainda está eclodindo e fazendo vitimas no belo país do Pacífico.
O certo é que os coreanos perderam para um time misto da Venezuela e não mostraram bulhufas de futebol.
Lembro-me da Coréia do Norte que vi na distante Copa de 1966 onde se destacaram pela velocidade e pelo incrível revezamento que seus jogadores executavam.
Algo que a Holanda iria aprimorar e transformar na sensação da Copa de 1974: a Laranja Mecânica.
Em 1966 a Coréia do Norte derrotou a Itália (1x0) e passou para a segunda etapa onde perdeu para Portugal por 5 a 3 depois de estar vencendo por 3 a 0.
Parecia um futebol de colegiais, mas algo de novo havia.
Entusiasmo, velocidade e ... muita inexperiência.
Hoje eles não tem nada, ou pelo menos nada mostraram nessa primeira visão de seu futebol.
Nem a inexperiência deu as caras.
(Flávio Araújo)
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