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03/02/12 - 15h11

A arte de se contar histórias

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Fonte: Rodrigo Olivato (r_olivato@hotmail.com)

Apesar do currículo breve – Alexander Payne tem 26 anos de carreira no meio do cinema, mas apenas 14 títulos como diretor (sendo dois curta-metragens e alguns episódios de séries de TV) – seu dono se especializou em contar verdadeiras histórias de vida. Duas dessas histórias receberam ótimos reconhecimentos da Academia: Sideways: Entre Umas e Outras (2004) e Os Descendentes (The Descendants, Alexander Payne, 2011), seu filme mais recente.

Matt King (e o nome já é bastante sugestivo por si só) é um advogado de razoável sucesso e o detentor de uma grande porção de terras no Havaí – e que está às vésperas de vendê-las para que ela se torne um condomínio de luxo. Mas essa não é uma história leve envolvendo o paraíso do Pacífico, como o próprio confirma em um dos primeiros voice-overs do filme. Afinal de contas, logo de cara, já descobrimos que ele tem duas filhas com quem tem pouquíssimo contato, tinha uma relação um tanto distante com sua mulher, e ela, por sua vez, está em um coma irreversível. E ele se vê forçado a criar uma nova relação com suas filhas enquanto lida com todos os problemas que rondam sua vida.

A coisa piora: ao decorrer da coisa toda, King descobre também que sua mulher o traía com um corretor de imóveis. Apesar do tema denso, a leveza com que o roteiro leva tudo isso (principalmente através das reações do protagonista, interpretado por George Clooney), mas também de toda a ‘família’ do camarada – Shailene Woodley faz um trabalho fantástico, diga-se, como a filha mais velha rebelde – que mistura momentos cômicos com outros que são explicitamente reflexivos.

Usa a mesma fórmula, aliás, de Sideways – um filme indie, feito (de certo modo) de forma mais ‘desencanada’, mas com muito acerto, Os Descendentes tem um tipo de desenvolvimento de história não ortodoxo, mas que no final, chega naquilo que o pessoal da Academia gosta. Tanto gosta que honrou o filme com 5 indicações ao Oscar.

E sendo o ótimo filme que é, arrisco dizer que se não fosse a presença de O Artista na concorrência, o filme de Alexander Payne seria o maior favorito a levar todos os prêmios que disputa.

 

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