26/02/10 - 13h48
Fonte: Renata Canales : re3canales@hotmail.com
O filme de Eastwood sobre Nelson Mandela é uma viagem pelo bom cinema
Renata Canales
A intolerância, a vingança, o ressentimento são comuns ao homem. Pregar o perdão, a igualdade, unir um país esfacelado pelo ódio, pelo racismo foi o primeiro desafio de Nelson Mandela quando assumiu a presidência da África do Sul, em 2004. Depois de passar quase 30 anos preso, humilhado, forçado a executar trabalhos braçais, Madiba, como era chamado pelo clã que o elegeu ao cargo mais importante do Estado, teve que desafiar os próprios aliados para conseguir unir a nação.
No filme “ Invictus”, Clint Eastwood mostra o começo do governo desse líder disposto a colocar o coração na frente da desforra. Em seu primeiro dia de mandato, Mandela encontra os funcionários da antiga liderança certos que serão demitidos. A primeira surpresa é saber que Mandela não os trocará por coligados, e que busca fazer deles novos aliados. Gentil, o líder consegue aos poucos a simpatia e o respeito de quem trabalha com ele. Mas ele quer mais. Ele quer o sonho embalado durante anos de ver seu país unido, sem diferenças, igualitário, com negros e brancos enterrando de vez o maldito apartheid que por quase 40 anos tanto fez a maioria do povo sofrer. Para tanto, ele sabe que é preciso colocar pano quente nos ânimos enfurecidos dos brancos que acreditam que a nova política beneficiará apenas os compatriotas de pele negra. Inteligente, vê no esporte a maneira de fazer essa integração.
O time nacional de rugby é o Springboks, cultuado pelos brancos e odiado pelos negros que o vêem como símbolo da segregação racial. Negro gosta de futebol, branco é quem gosta de rugby. Cabe a Mandela mudar esse sentimento. O líder político convida então o capitão do time, o jogador François Pienaar, para um chá. O esportista fica encantado com o carisma de Nelson Mandela. Os dois se aproximam, e o presidente lhe transcreve o poema britânico de Willian Henley chamado “Invictus” e que tanto lhe deu esperanças quando estava na prisão em Robben Island. O poeta se diz comandante da própria alma e do seu destino e essas palavras incentivam Pienaar a acreditar que é possível vencer a Copa Mundial de Rugby que será sediada na África do Sul. Quando na final do campeonato, negros e brancos torcem juntos para vencer o jogo, Mandela sabe que conseguiu a primeira vitória para a concretização do seu desejo de união, de fraternidade, de ver seu país sem fossos separatistas, de ver o seu povo com voz uníssona.
Morgan Freeman está simplesmente deslumbrante como o líder governista, e seu nome para viver o papel foi aceito pelo próprio Mandela. Ele concorre ao Oscar como melhor ator ao lado do também excelente George Clooney. Como Hollywood adora uma cinebiografia, Freeman tem muita chance de levar a estatueta para casa e colocá-la ao lado da outra que ganhou como coadjuvante por “ Menina de Ouro”, também de Clint Eastwood. Invictus é um filmaço desses que a gente sai do cinema elogiando roteiro, atuação, fotografia e direção. Eastwood provou de novo ser um ótimo comandante.
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