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11/02/10 - 08h15

Coluna de cinema de Renata Canales : Amor sem escalas

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Fonte: Renata Canales : re3canales@hotmail.com

George Clooney está maravilhoso em Amor Sem Escalas. Siga a boa crítica de Talissa Berchieri. Beijos, Renata Canales

Amor sem escalas
Talissa Berchieri

Quanto pesa algumas estatuetas do Oscar numa mochila?

Não criar vínculos, esse é o principal objetivo de Ryan Bigham, personagem de George Clooney em “Amor sem escalas”, novo filme de Jason Reitman. O diretor, que já chamou a atenção com ótimos longas como “Obrigado por fumar” e “Juno”, mais uma vez traz profundas reflexões para o espectador e tem roubado a cena na temporada de premiações cinematográficas. Além de várias indicações, uma das principais conquistas de “Amor sem escalas” até agora foi o Globo de Ouro de melhor roteiro, estatueta que foi parar direto na estante de Reitman.                                                            

O novo filme do diretor gira em torno de Ryan Bingham, homem que passa a maioria de seus dias viajando pelos Estados Unidos despedindo funcionários de empresas em crise. Bingham adora seu estilo de vida desapegado, de viver em meio a aeroportos, hotéis e carros alugados. Ele consegue carregar tudo o que precisa em uma mala de mão, é cliente vip em todos os programas de fidelidade existentes nas companhias aéreas e está próximo a atingir 10 milhões de milhas, seu único objetivo de vida. A “pacata” vida de Ryan é ameaçada com a chegada de uma nova funcionária que apresenta um método inovador para a realização do trabalho: demitir funcionários por meio de videoconferência, o que resultaria aos empregados, como Bigham, fazerem seu trabalho sem sair da cidade e, assim, acabar com as despesas de viagem da companhia. 

O filme de Reitman traz questões bem mais profundas do que se imagina ao ver o trailler. Primeiro, pegando carona com a difícil situação financeira que a economia mundial sofreu ano passado, o longa foi executado em meio à crise que causou milhares de demissões nos EUA. Apesar de esse não ser o principal objetivo, Reitman exibe como pano de fundo o lado humano do colapso econômico mostrando os chefes de família, que ao serem demitidos, se vêem tendo que recomeçar do zero na tentativa de se recolocarem no mercado depois de anos de trabalho para uma mesma empresa.

Já como tema principal está Bingham, personagem de Clooney, um nômade moderno que defende a teoria que o melhor é não ter “bagagem” para carregar, ou seja, é melhor viver sem grandes laços afetivos. Com essa metáfora, Clooney não simplesmente cumpre seu papel, como traz uma leveza e sensibilidade notória para seu personagem. Merecida indicação ao Oscar de melhor ator.                                                

Por falar em indicações, é impossível comentar sobre interpretação sem citar as duas coadjuvantes, Vera Farmiga e Anna Kendrick. A primeira vive Alex, personagem que aparenta levar os mesmos valores de Bingham. É sensual, segura e independente, e parece curtir sem grandes pretensões seu relacionamento causal com Bigham. Farmiga dá vida a uma personagem forte e de presença. Com passagens rápidas em filmes como “Os Infiltrados”, a atriz nunca chamou tanta atenção como em “Amor sem escalas” e, é claro que, seu trabalho não passou despercebido pela academia e lhe rendeu uma indicação ao Oscar de melhor atriz coadjuvante.  

Sua companheira de elenco, Kendrick, também foi indicada na mesma categoria. A novata vive Natalie, uma mocinha que tem todo seu futuro planejado, mas que precisa lidar com as frustrações ao perceber que nem tudo sai como espera. A personagem prova que idade nem sempre dita maturidade, principalmente quando o assunto é o amadurecimento emocional.   

Enfim, é sobre emoção que se trata o filme de Reitman. Como é para um dedicado funcionário perder um emprego? Como se sente uma moça dispensada pelo namorado por MMS? Como um adulto egoísta pode se entregar a um romance? Bem, como diria Bigham: junte todos esses sentimentos dentro de uma mochila e perceba quanto ela pesa. Muito? Pois é, Reitman mostra que pesada ou não, essa bagagem é essencial. E com essa idéia, ele deve encher a própria mochila com muitas estatuetas nesse próximo Oscar.

 

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Comentários dos Leitores

  • Comentário enviado por claudia em 13/09/10

    Essa resenha foi a mais apropriada em relação a essa história multifacetada. Parabéns!

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