05/04/11 - 08h03
Fonte: Matheus Arcaro: matheus@abelharainha.com
Aristóteles concebia o homem como um ser desejante, que almeja a todo instante a felicidade. Pensando nisso, ocorreu-me trazer os seus conceitos para colocar em xeque o homem dos nossos dias.
Uma linha de raciocínio é suficiente para que vejamos como os valores da nossa época estão invertidos. Segundo Aristóteles, a meta do homem é a felicidade (em seu sentido profundo). Logo, ela deve ser sempre um fim, nunca um meio. Ninguém diria: eu quero ser feliz para ter muito dinheiro. Diria: quero ter muito dinheiro para ser feliz. Então, desse pressuposto, começa uma incessante surra do Ter sobre o Ser. Para alcançarmos a felicidade, trabalhamos duro a vida toda para ter cada vez mais. Mas o que temos nunca é suficiente. Essa impossibilidade de completude nos frustra a tal ponto que chegamos a achar utópico esse estado de espírito.
No fim da jornada vital, após tanta labuta, olhamos para trás e perguntamos a nós mesmos: conseguimos? Para a grande maioria a resposta é negativa.
Então, pense. Mesmo que para você a hora da pergunta esteja distante (como isso é relativo!), comece a pensar na resposta. Aproveite, pois será esse percurso que a fará pender para o sim ou para o não.
E, ao contrário de um exame ou de uma prova, para essa pergunta, não há recuperação.
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