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10/11/09 - 10h59

Valorização cambial prejudica competitividade do agronegócio brasileiro

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Fonte: Ribeirão Preto Online

A Sociedade Rural Brasileira (SRB) realizou um estudo sobre o impacto da valorização cambial no agronegócio e na economia brasileira que foi divulgado semana passada no site da entidade.

De dezembro de 2008 até setembro deste ano, o real obteve uma valorização de 32% frente ao dólar, ficando na frente do euro, com valorização de 8,1% em relação à moeda americana no mesmo período.

Como a volatilidade cambial foi maior na taxa de troca entre reais e dólares do que em outras moedas, as exportações brasileiras, principalmente as commodities, vêm sofrendo perdas de competitividade e rentabilidade.

De acordo com o presidente da Rural, Cesário Ramalho da Silva, a apreciação cambial, que seria quando o real está excessivamente valorizado frente ao dólar, impacta brutalmente o produto rural brasileiro e, se nada for feito em relação ao câmbio, o endividamento rural se agravará.

Para o Secretário de Agricultura do Estado de São Paulo, João Sampaio, um dos grandes problemas na questão cambial é que ainda existe juros muito altos, que atraem capital especulativo, interessado em rápida e alta rentabilidade.

Entre os produtos que apresentaram um aumento nos preços está a soja, que ficou 32% mais cara no mercado internacional durante a safra 2009/10.

O preço médio da saca de 60kg de soja cotada na bolsa de Chicago em setembro estava na casa dos US$ 20,60. Para que um país importasse uma saca de soja brasileira em setembro, por exemplo, quando a taxa de câmbio média ficou em R$ 1,82/US$, custaria ao importador US$ 11,30 enquanto que em dezembro de 2008, período em que a taxa de câmbio estava a R$ 2,40/US$, a mesma saca de soja custaria US$ 8,60.

“A soja, como qualquer outra commoditie de exportação, sofre diretamente com as oscilações da moeda e os preços internacionais. A super-safra que se avizinha (Brasil, Argentina, Estados Unidos) fará com que ocorra uma oferta gigantesca do produto, criando um cenário baixista para as cotações da oleaginosa na Bolsa de Chicago, que é referência de preços mundial”, explica Ramalho.

Segundo estudo realizado pela Rural, as exportações brasileiras de algumas commodities, como açúcar, algodão e suco de laranja, ainda mantêm uma margem positiva de rentabilidade apesar das variações cambiais e têm mantido uma significativa taxa de crescimento, gerando ganhos de participação no mercado internacional.

“O aumento da produção e a diminuição da demanda formam um cenário baixista dos preços, agravado pela questão cambial, para todos os produtos, com exceção de algumas culturas, como o açúcar, em razão da demanda crescente da Índia”, afirma o economista da Rural, André Diz.

Se tratando da soja, milho e café, a margem de lucro ainda se mantém positiva com os preços de comercialização ainda sendo superiores aos custos de produção, mesmo com a perda de rentabilidade registrada entre dezembro de 2008 e agosto desse ano.

No caso do café, de acordo com o vice-presidente da Rural, Roberto Ticoulat, o mercado internacional continuará precisando do produto brasileiro.

Além da perda de rentabilidade e competitividade, com um processo de valorização cambial contínuo, ocorre o barateamento dos produtos importados fazendo com que os produtos nacionais apresentam uma margem de comercialização no mercado interno e global.

Com isso, a remuneração dos produtores rurais, pela indústria, também tende a diminuir incapacitando o crescimento de um setor que representa mais de 26% do PIB nacional.

A redução dos investimentos por parte dos produtores rurais e das indústrias e a diminuição da capacidade de inserção do Brasil como destaque no rearranjo econômico global são os outros impactos da valorização cambial.

A valorização do dólar permite que as margens de comercialização dos produtores rurais e da agroindústria se ampliem com uma maior atratividade das exportações brasileiras no comércio mundial, já que o agronegócio brasileiro é uma oportunidade estratégica para o crescimento da economia nacional no mercado mundial.

Segundo cálculos do Cepea, a produção agropecuária representa 7% do PIB da economia brasileira no ano de 2008, participação de apresenta estabilidade nos últimos 14 anos, variando de uma participação mínima de 6% em 2006 e máxima de 7,8% em 2003.

 

 

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